A deputada federal Caroline de Toni (ainda no PL) até agradece ao presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, pela franqueza, após rejeitar dois convites feitos por ele: ser vice na chapa de Jorginho Mello à reeleição, posição publicamente já anunciada para o prefeito Adriano Silva (Novo), de Joinville, ou ser líder da bancada na Câmara Federal, em 2027.
Em entrevista ao jornalista William Fritzke, da rádio 99,1, de Jaraguá do Sul, a parlamentar, mais votada em 2022, contou os bastidores da conversa que teve com Valdemar, a pressão para desistir da corrida ao Senado e buscou isentar o governador Jorginho Mello, presidente estadual da sigla.
A deputada explica que está de saída do PL porque não há como concorrer ao cargo que pretende devido uma exigência do PP, da federação União Progressista, que, em pelo menos sete estados, condiciona um acordo nacional para apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sem a sombra de uma personalidade forte do partido de Valdemar.
É o caso de Santa Catarina, onde para dar viabilidade à candidatura de Esperidião Amin (PP) à reeleição, o acordo só será fechado, inclusive com o apoio a Jorginho, somente se Caroline de Toni esteja fora da disputa ao Senado, pouco importa por qual sigla.
Rifar Carol leva à vitimização
Um dos axiomas mais evidentes da política é levar uma liderança à vitimização, fato que garante votos, ainda mais que Carol de Toni tem o incondicional apoio do clã Bolsonaro, do próprio Carlos, ex-vereador carioca, mas, acima dele, do pai Jair, que já se manifestou publicamente, e da ex-primeira-dama Michelle, que voltou a se manifestar favoravelmente à deputada catarinense nas redes sociais.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Carol de Toni deverá fechar com o Novo, ou seja, não ficará longe do palanque de Jorginho, a quem isenta de qualquer responsabilidade sobre a manobra do PP estadual, mas será uma pedra no sapato de Amin.
Esta fratura exposta se repete desde que Jair Bolsonaro impôs o nome do filho 02 Carlos goela abaixo de Jorginho, dando característica de feudo à montagem eleitoral, uma dificuldade a mais para o governador que precisa de outros apoios na campanha à reeleição.
Aliás, a própria Carol declara que a primeira negativa que recebeu de Valdemar foi o fato de que não haveria qualquer possibilidade de uma chapa pura ao Senado do PL em Santa Catarina, caso contrário o presidente nacional faria uma intervenção no diretório comandando por Jorginho, uma ação desnecessária.
Eleição “perigosa” está sendo menosprezada
O que parece senso comum dentro do PL é de que a saída de Carol de Toni deixará um rastro de repercussões em um cenário já pra lá de perigoso que é a eleição de dois terços ao Senado.
Nada indica que o eleitor de Carol não se rebele pela maneira como a parlamentar está sendo tratada, uma situação que pode levar àquela avaliação de que, neste caso, a condição de gênero pesa.
A deputada federal tem propostas inclusive para ser presidente estadual de partidos como o Podemos, Avante e PRD, o que evitaria o risco de ser “fritada”, como se antevê no PL, mais a possibilidade de filiação ao Novo, caminho mais provável, e os que ela já descartou: MDB e PSD.
Fica evidente que Carol não quer dar as costas ao bolsonarismo catarinense, tampouco de Jorginho Mello, mas as circunstâncias indicam que ela deve se beneficiar do voto de protesto e repetir situações históricas de que a maneira como será removida da disputa ao Senado criam anticorpos junto ao eleitorado, que costuma encontrar os próprios vilões destas manobras.