Contar uma história de seis décadas do partido mais longevo do país já seria uma oportunidade única, mas acrescentar as presenças de ex-governadores, um deles um adversário histórico, o senador Esperidião Amin (PP), fez a sessão solene em homenagem ao aniversário do MDB um marco na política catarinense, na Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (1º).
Tanta deferência que coube ao presidente do parlamento estadual, deputado Julio Garcia (PSD), abrir os trabalhos.
Na mesa dos trabalhos, ao lado de Eduardo Pinho Moreira, duas vezes governador, estava ainda Raimundo Colombo (PSD), reeleito em primeiro turno pela força do MDB, que já o garantiu antes na condição de senador.
Moreira, Amin e Colombo tiveram direito à palavra no evento, proposto pelo deputado e ex-presidente da Assembleia Mauro De Nadal, que acentuou duas qualidades do MDB em 60 anos de existência: resiliência e pragmatismo.
Para Mauro, o partido tem a representação popular que verga, se adapta, com os mesmos equilíbrio e firmeza que levaram à redemocratização do país e que hoje tem a capacidade de escutar o que importa para cada comunidade catarinense onde está representado ou constituído.
De fato, o maior partido do Estado, organizado em 295 municípios, governou o Estado por cinco vezes (Pedro Ivo Campos, Casildo Maldaner, Paulo Afonso Vieira, Luiz Henrique e Eduardo Pinho Moreira), e, em outras duas oportunidades, foi o coadjuvante na tríplice aliança, na parceria com PSDB, DEM, depois PSD, em quase 17 anos de supremacia política em Santa Catarina.
Muito desta presença representada na figura de Luiz Henrique da Silveira, que foi sua maior figura como ex-prefeito de Joinville por três vezes, deputado estadual e federal, presidente nacional da sigla, governador por dois mandatos e senador.
Aliás, as figuras de Luiz Henrique e de seu mentor político, Ulysses Guimarães, foram lembradas em vídeo pelos ex-presidentes da República José Sarney e Michel Temer, além do presidente nacional do partido, o deputado Baleia Rossi (SP).
Sarney fez uma referência à força política catarinense, ao lembrar de nomes de todos os matizes políticos: Nereu Ramos, Celso Ramos, Irineu Bornhausen, Jorge Bornhausen e Luiz Henrique.
No evento, ainda foram presenças marcantes os ex-senadores Dirceu Carneiro, que depois foi para o PSDB; Nelson Wedekin, que seguiu para o PDT; e o histórico Neuto De Conto – um dos fundadores da sigla, atual presidente de honra da legenda no Estado e relator do Plano Real -, que, junto com gente como os ex-presidentes da Assembleia Romildo Titon e Moacir Sopelsa, e o ex-deputado federal Mauro Mariani, que presidiu a sigla, deram contornos à influência emedebista no quadro político estadual.
Espaço assegurado para as mulheres
Mauro De Nadal lembrou da força feminina que o partido sempre teve e que deve ser um norte para o futuro da sigla, nas figuras das ex-deputadas Ada de Luca e Dirce Heiderscheidt, ex e atual presidente do MDB Mulher.
O deputado lembrou das 19 prefeitas e vices eleitas, em 2024, e homenageou ainda a senador Ivete Appel da Silveira, a ausente da noite.
Em uma demonstração de unidade, que esquece os momentos turbulentos de uma divisão interna entre Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues (PSD), a sessão reuniu a bancada estadual (Mauro, Antíido Lunelli, Jerry Comper, Volnei Weber, Fernando Krelling – vice-presidente da Alesc; e Tiago Zilli), além do ex-deputado Emerson Stein estavam presentes; e a federal, com o presidente Carlos Chiodini, Rafael Pezenti e Valdir Cobalchini.
Sem tocar em 2026, quando o MDB deverá estar com João Rodrigues, indicando o vice, e a apoiar Esperidião Amin à reeleição, Chiodini lembrou que o MDB quer manter o seu legado focado no futuro.
Costuma-se dizer que o MDB já foi tão grande e poderoso que perdia para ele mesmo, quando mergulhado nas suas mazelas internas, algo que história confirma e seus integrantes sabem como ninguém.