“O meu preço é a justiça” para não disputar à Presidência, disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que condiciona a retirada do nome desde que aprovem a anistia ampla geral e irrestrita, no Congresso Nacional, e libertem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi dada em uma entrevista à Record TV, durante o programa Domingo Espetacular, no dia 7.
De acordo com o parlamentar, que teve o nome lançado ao Planalto com as bênçãos do pai, que está com os direitos políticos cassados, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e começar a cumprir pena de 27 anos e três meses por participar de uma tentativa de golpe de Estado.
“São 60 milhões de brasileiros sequestrados dentro do cativeiro nesse momento junto com o presidente Bolsonaro, então óbvio que não tem volta a minha pré-candidatura a presidente da República, que é muito consciente. Ela é pra representar grande parte da população brasileira que não aceita mais essa quantidade enorme de desmandos”, disparou Flávio.
O número declarado por Flávio, refere-se ao resultado do segundo turno das eleições de 2022, quando Jair Bolsonaro obteve 58.206.322 votos (49,1%), contra 60.345.825 (50,9%), dados a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em um outro trecho da entrevista, o senador disse que “são pessoas assim como presidente Bolsonaro que estão separadas de suas famílias, estão fora do país, e a única forma disso acontecer é se Bolsonaro estiver livre nas urnas, caminhando junto com os seus netos os filhos de Eduardo Bolsonaro pelas ruas de todo o Brasil”.
Senador descarta o “balão de ensaio”
Flávio, para quem alguns setores do Centrão – segmento que reúne, entre outros, PSD, PP, União Brasil e Republicanos – consideram que a indicação pelo pai ex-presidente é apenas uma experiência para ver a viabilidade eleitoral, considera as pessoas que “disseram não, essa é uma candidatura um balão de ensaio, estão redondamente enganados, pois não tem balão de em saio”.
“Eu não tiro meu nome a não ser a condição de nós termos justiça. Não só com Bolsonaro, mas com centenas com milhares com milhões de brasileiros que estão sofrendo angustiados desesperançosos com aquela sensação de que não tem a que a quem recorrer”, e concluiu: “meu nome vem pra resgatar esse brilho pra esquentar de novo o coração do brasileiro pra eles verem que tem esperança e que eu tô dando a cara a tapa, e que não tem volta, e eu só vou parar no dia da vitória porque Deus vai abrir esse mar pra gente”.
Sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Flávio Bolsonaro disse que foi a primeira pessoa com quem falou depois de ser indicado pelo pai ex-presidente.
O senador disse que Tarcísio, tido como o nome mais viável a disputar com Lula, inclusive pelo Centrão, foi absolutamente transparente, direto, e afirmou que pode contar que estaremos juntos.
“Eu não vou ficar cobrando o Tarcísio para que se manifeste publicamente à reeleição ao governo (de São Paulo)" finalizou Flávio.
Veja algumas declarações de Flávio Bolsonaro:
Datafolha aponta vantagem de Lula sobre Flávio e outros Bolsonaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ampla margem em um eventual segundo turno nas eleições de 2026, segundo pesquisa Datafolha, divulgada no sábado (6).
De acordo com o levantamento, Lula aparece com 51% das intenções de voto, contra 36% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, diferença de 15 pontos percentuais.
Em outros cenários, mais candidatos da direita, como o governador Tarcísio de Freitas, têm melhor desempenho do que o “clã Bolsonaro”.
Tarcísio perderia por 47% a 42%; o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) registraria 41% contra 47% de Lula; enquanto, para outros nomes da família Bolsonaro, os resultados são desfavoráveis: Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria 35% frente a Lula, que ficaria com 52%; Michelle Bolsonaro (PL-DF) perde por 50% a 39%.
O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Depois de um encontro com Bolsonaro, Tarcísio confirmou que será candidato à reeleição em São Paulo.
Pelo menos, nesta segunda-feira (8), Flavio levou um revés ao tentar conversar com presidentes nacionais de três fortes partidos do Centrão para falar de “seu preço” para não concorrer ao Planalto.
Antônio Rueda (União Brasil) Ciro Nogueira (PP) e Marcos Pereira (Republicanos) alegaram conflito de agenda, e o encontro não ocorreu.