Na primeira aparição ao vivo em uma emissora de TV aberta depois de se lançar pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que uma das poucas coisas que mudaria em relação ao estilo de Jair Bolsonaro (PL), quando esteve à frente do Palácio do Planalto, é a comunicação à sociedade.
Flávio respondeu a perguntas dos jurados do programa comandando por Carlos Massa, o Ratinho, no SBT, e admitiu que algumas declarações de seu pai foram mal-interpretadas nos quatro anos em que ficou à frente da Presidência, por isso avalia que adotaria uma outra estratégia.
Depois da polêmica gerada nas redes sociais por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) pela participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama Janja Lula da Silva, na inauguração do SBT News, na última sexta-feira (12), o filho 01 do ex-presidente foi entrevistado, nesta segunda-feira (15), por cerca de 25 minutos.
Ratinho justificou mesmo antes de começar a entrevista que a emissora de Silvio Santos “não tem lado, não tem partido e está aberta a todas as manifestações políticas”.
Mas o clima era diferente, já que a plateia no auditório, acostumada a aplaudir a todo momento, estava discreta, sem manifestações a cada resposta, às vezes com um ou outro gesto de concordância com a cabeça, flagrado em determinado momento pelas câmeras, situação que se manteve inclusive na despedida do senador.
Foi quando Ratinho desejou que Jair Bolsonaro passe pelos momentos difíceis e pediu para Flávio levar um abraço ao ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Flávio falou em manter o Bolsa Família
No discurso pautado em críticas ao governo Lula, Flávio disse que não aceita a corrupção que existe na administração federal, principalmente nas estatais, ao citar a situação difícil dos Correios e o empréstimo de R$ 20 bilhões para salvar a empresa que é um verdadeiro patrimônio eleitoral.
Bem preparado, o senador fluminense não deixou sequer de criticar privatizações que não deram certo, como no caso da Enel, em São Paulo, onde milhões ficaram sem energia devido a temporais com queda de árvores.
“Se não funcionou a privatização, troca por outra empresa”, disparou Flávio a umas emissora de TV que tem sede no Estado paulista.
Perguntado sobre o Bolsa Família, o senador assegurou que seguiria o que o pai fez quando na Presidência: daria uma porta de saída, mantendo o valor do benefício e ainda acrescentando mais R$ 200 até que a pessoa conseguisse emprego. “Vamos ajudar a conseguir uma colocação, um trabalho”.
Sobre como pretende enfrentar a violência, Flávio pregou penas mais duras, a diminuição da maioridade penal e disse que levaria os jovens “pela mão” para retirá-los de perto dos criminosos ao encontro de outras atividades.
Senador prega diálogo para acabar com atritos
Na missão de mostrar que é um Bolsonaro diferente, Flávio assegurou que o diálogo pode fazer com que pessoas que hoje discutem ou se distanciam por conta da polarização políticas saibam conviver pacificamente, sem cancelamentos ou “discurso de ódio” nas redes sociais, curiosamente prática que é reputada ao grupo político a que pertence.
Por duas vezes, o senador disse que as pessoas podem ter ideias diferentes e lado, mas que magistrado não, ao se referir à situação vivida pelo pai e por outras pessoas que estiveram nos atos de 8 de janeiro de 2023 e estão presas, e ao defender a anistia.
Mais uma vez, Flávio declarou que só o pai livre, com os direitos políticos recuperados e disputando a eleição, no ano que vem, o faria desistir de concorrer.
Em nenhum momento, apesar de criticar, Flávio citou o nome de Lula, que deve ser o seu maior adversário em 2026, sinal que o mídia trainning da pré-campanha já começou.
Tampouco fez qualquer referência a aliados como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, ou ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), que comanda a Capital paulista.
Se era para ser um teste, tanto para Flávio Bolsonaro quanto para a imparcialidade do SBT, os dois lados cumpriram o combinado, fato que acabou respaldado até pelo o que Ratinho disse: o canal de TV aberto é uma concessão pública e tem que atender à sociedade de forma plural.