Uma frase do presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Gilberto Seleme, define bem o momento vivido pelo setor produtivo catarinense em 2025: “Dois mais dois são quatro, menos um dá três. Em números está tudo certo”.

Seleme, engenheiro e administrador de empresas, resume matematicamente o que transparecem os números positivos da indústria no Estado, em 2025, com crescimento de 2,8%, acima de 0,4% do índice nacional, mas com diversos setores afetados diretamente pelo tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a partir de agosto.
É, neste ponto, que a Fiesc acentua que as empresas de Santa Catarina mostraram a vitalidade comercial e partiram para novos negócios com a Argentina, garantia assegurada pela diversidade da planta industrial no Estado.
Seleme lembra que a aproximação com os argentinos foi tão significativa, em vista do reaquecimento da economia do país vizinho, que até uma fábrica de portas de lá preferiu comprar o produto catarinense, já que o custo de produção local é muito alto.
Em outra ponta, a Fiesc junto com a Confederação Nacional da Indústria tem atuado junto a advogados e empresas de consultoria dos Estados Unidos para que a queda das tarifas se torne realidade, até porque, a cada dia, novas resoluções do governo norte-americano, provocam a necessidade de defesa da posição dos produtores brasileiros.
Cenário melhora em 2026
O economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, explica que a maioria dos setores da atividade foram afetados pelo tarifaço, em pequena ou maior escala, mas que nada se compara ao madeireiro, de produção de móveis, até porque a produção era direcionada totalmente ao padrão norte-americano de consumo.
Bittencourt explica que os vilões, além da ação de Trump, estão na elevada taxa de juros e na perda do poder aquisitivo das famílias, embora a construção civil tenha elevado os patamares de crescimento, um ramo econômico em ascensão constante em território catarinense.
Nas previsões da Fiesc, o cenário mais positivo de recuperação econômica deve se dar a partir do segundo semestre de 2026, com a perspectiva na baixa da taxa Selic pelo Banco Central, seguindo a tendência do FED nos Estados Unidos, o acréscimo de mais de R$ 28 bilhões na economia brasileira como efeito da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e a perspectivas de queda no valor das tarifas cobradas pelos EUA sobre produtos catarinenses, como motores elétricos e móveis, fato que já ocorreu em relação ao suco de laranja, a carne bovina e o café.
Outra forte oportunidade deve surgir, em breve, tão logo a União Europeia formaliza o acordo comercial com os países do Mercosul, ainda em fase de finalização e com uma resistência muito específica da França. Estes fatores nem sequer serão afetados pela reforma tributária, que começa mais uma etapa de transição a partir de janeiro de 2026 e que irá culminar em 2033.
Em 2025, além da produção catarinense que cresceu 2,8%, o emprego industrial criou mais 39,5 mil vagas e as exportações, apesar do tarifaço, aumentaram 3,5%, algo em torno de US$ 11,1 bilhões (cerca de R$ 70 bilhões).
Saída diplomática é a mais eficiente
A Fiesc sempre entendeu, corretamente, que a saída para crise com os Estados Unidos é diplomática, com a ressalva de que um dos entraves está na mesa dos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A chefe de Gabinete da diretoria executiva da entidade, a economista Maria Teresa Bustamante acrescentou que, na linha de procura de novas parcerias internacionais, a CNI ativará escritórios de suporte em Dubai (Emirados Árabes), Munique (Alemanha) e, provavelmente, na Índia.
Bustamante esclarece que a intenção é desenvolver programas de abertura de mercado para pequenas e médias empresas, pensando na construção de alianças estratégicas comerciais.
O conceito é claro: hoje, o comércio internacional compra cada vez menos produtos acabados, mas adquiri serviços, tecnologia e desenvolvimento em parceria, o que a Fiesc percebeu, por exemplo, na visita recente à Argentina.
Entidade critica diminuição da jornada
A Fiesc emitiu nota nesta quinta-feira (11), onde considera “inoportuna” a discussão da diminuição da jornada de trabalho semanal, para 36 horas, aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, na quarta-feira (10).
“A aprovação relâmpago, por uma comissão esvaziada, simboliza o descolamento do debate público. Interesses eleitorais não devem sufocar o debate profundo sobre os determinantes da competitividade. Não se pode ignorar a opinião de quem gera empregos, paga os impostos e impulsiona efetivamente o crescimento da economia”, avalia o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.
A Fiesc ressalta que a Reforma Trabalhista, aprovada em 2017, já traz elementos suficientes para permitir que empregadores e empregados ajustem contratos de trabalho para atender a expectativa de ambos os lados em diferentes realidades, e pondera quea medida, em um primeiro momento “simpática”, mascara a elevação de custos para o empresariado, criador de empregos.