Marcado por críticas a Jorginho Mello (PL), sem citar sequer uma vez o nome do atual governador, o prefeito João Rodrigues renunciou ao cargo em Chapecó com o anúncio de um pacote de obras de R$ 200 milhões.
Antes do embate na campanha, João sai de fato da prefeitura de Chapecó nesta quinta-feira (2), pronto para o que diz ser um difícil passo entres as 10 eleições disputadas e vencidas na carreira política: “assumo o maior desafio da minha vida”.
É clara a disposição de João em comparar a gestão dele, em um município que completará R$ 1,9 bilhão em obras – o que coloca Chapecó em 17º lugar entre os municípios do país, incluindo as capitais dos estados -, com as anunciadas por Jorginho no Estado.
Afiado, João declara que entregou mais rodovias duplicadas do que o atual governador em três anos, e esquenta a chapa ao dizer que “as entregas são todas do governo (de Carlos) Moisés”.
A crítica à atual administração também passa pelo excesso de marketing e publicidade, que não corresponde ao que chega à população, tanto que João faz reparos nas áreas de saúde e até na solução do problema habitacional para famílias de baixa renda.
João comentou mais uma vez uma das cobranças que aparentemente serão constantes, a falta de contato de Jorginho com o governo federal, “o único governador que não marcou uma audiência com o governo federal”, e completou “falar com o governo federal não é estar alinhado”.
Em determinada parte do discurso, João mandou uma direta aos mais radicais e disse que “vivemos em uma país onde a polarização é burra, onde se ganha por falar mal, satanizar o adversário. Aqui em Chapecó, os adversários nos ajudam a crescer”. Antes de passar o cargo ao vice Valmor Scolari (PSD), João irá à igreja e ao jogo entre Chapecoense e Atlético-MG, na Arena Condá.
Problemas na aliança devem ser ajustados
Apoiado por deputados estaduais e federais, mais o presidente da Assembleia, Julio Garcia, João Rodrigues sabe que terá que contornar resistências entre integrantes do PP e do MDB, favoráveis a permanecer com Jorginho.
João mirou nos prefeitos, mais uma vez, e disse que eles não podem ser cooptados pelo atual governador, e citou que os ex-governadores “Luiz Henrique, Esperidião Amin e Raimundo Colombo, nunca fizeram isso!”
Na Assembleia, na mesma terça-feira (31), o vice-presidente Fernando Krelling (MDB) liderou um a reunião dos deputados “insurgentes” do MDB, que pregam continuar com Jorginho Mello.
Krelling, que indicou o presidente da Fesporte, reuniu os deputados-secretários Jerry Comper e Emerson Stein, de volta à suplência; Antídio Lunelli, que defende estar com os bolsonaristas do 22 pelo afinidade ideológica; o ex-deputado Mauro Mariani, vice-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), cargo indicado pelo governador, além do secretário Cleiton Fossá (Meio Ambiente de Economia Verde), todos que devem algum tipo de favor a Jorginho, mais o prefeito Emerson Mass, de Mafra.
O deputado federal Valdir Cobalchini, vice-presidente estadual do MDB, e que também passou a defender o alinhamento com Jorginho estava presente, até porque o filho, vereador João Cobalchini, presidente da Câmara de Florianópolis, é aliado do prefeito Topázio Neto (Podemos), que deixou o PSD após atrito com João Rodrigues por também apoiar à reeleição do governador.
A ideia do grupo é estreitar a relação de Jorginho com os prefeitos da sigla, mesma tática usada pelo governador para atrair os prefeitos do PP, com muitos convênios, desde que apoiado por eles, já que a restrição eleitoral impede a liberação de recursos de julho a novembro.
Quem não quer saber do apoio a João tenta evitar um desgaste na convenção, entre julho e agosto próximos, impedindo eu seja deliberada a aliança com o candidato do PSD.
Prefeito ficou cercado de aliados
Deputados de PSD, PP, União Brasil e MDB foram a Chapecó para prestar apoio a João Rodrigues.
Entre eles estavam os pessedistas Julio Garcia, presidente da Assembleia; Napoleão Bernardes e Nilso Berlanda (que trocou o PL pelo PSD), acompanhados do presidente estadual Eron Giordani; os emedebistas Mauro De Nadal, ex-presidente da Assembleia, Volnei Weber, Tiago Zilli e o federal Carlos Chiodini, presidente do partido; o deputado federal Fábio Schiochet, presidente estadual do União Brasil e coordenador da federação União Progressista no Estado; e o deputado estadual Altair Silva (PP).
Schiochet declarou em discurso que a federação está com João e que o pré-candidato ao governo não está isolado como diziam, mesma linha adotada por Altair que mandou um recado de Esperidião Amin, presidente estadual do PP, que a decisão de seguir o prefeito de Chapecó tem que ser respalda.
Amin gravou um vídeo em que afirmou: “João renuncia ao seu mandato para servir Santa Catarina. Coragem para servir. Deus permita que estejamos juntos para uma jornada de verdade e união”.
Para o emedebista Chiodini, a declaração do ex-senador Neuto de Conto, presente ao evento, de que o Oeste catarinense foi a região do mundo que mais se desenvolveu nos últimos anos, tem a ver como trabalho de João que dedicou parte de sua vida à atividade pública.
Julio Garcia chamou João de o melhor prefeito do Brasil, e declarou que “quando você vem a Chapecó, você sente a diferença, e emendou: “João tem na sua alma e em seu coração um propósito, fazer de Santa Catarina uma grande Chapecó”.
O novo prefeito da cidade, Valmor Scolari (PSD), disse que segue os preceitos de João, “em política a gente precisa ter respeito, gratidão e lealdade”, e brincou que oi prefeito que deixa o cargo fez todas as obras, e que “desenvolvimento da cidade não é com discurso que se faz, é com compromisso”.
Jorginho estava em Palhoça
Longe do burburinho de Chapecó, o governador Jorginho Mello esteve em Palhoça, onde participou da filiação do ex-prefeito e atual deputado Camilo Martins no PL.
Camilo já estava com a entrada na sigla acertada, principalmente depois que participou da ida do prefeito reeleito Eduardo Freccia para o PL.
Jorginho estava leve, contou piadas, parecia à vontade, e só deve ter sido comunicado do conteúdo sobre os discursos em Chapecó mais tarde.
O evento em que Camilo elogiou a governabilidade do Estado foi simultâneo ao da renúncia de João Rodrigues.
Descontentes do PP perderam um discurso
Entusiasmados com a possibilidade da senadora Tereza Cristina (PP-MS) vir a ser a vice de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, os descontentes do PP de Santa Catarina terão que revisar a rota.
O próprio Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, declarou que conversou com Tereza Cristina e que ela disse que tem um projeto ao Senado e não está afim de concorrer na chapa de Flávio.
Ainda segundo Valdemar, a senadora sul-mato-grossense auxiliará na elaboração do programa de governo do candidato do PL na área de agricultura.