Quase ao final do discurso que agitou o encontro estadual do PSD, no CTG Os Praianos, em São José, na noite desta quarta-feira (3), o pré-candidato ao governo João Rodrigues disse:
“No dia 23 de março completo mais uma aniversário, será o dia da renúncia (à prefeitura de Chapecó) e, no dia seguinte, ponho o pé na estrada (para fazer campanha ao governo!”
Estava anunciada a confirmação de que João será candidato ao governo, situação que se tornou irreversível, enquanto aliados e correligionários do governador Jorginho Mello, pré-candidato à reeleição, alimentavam a possibilidade de composição entre PL e PSD para evitar o embate entre líderes da direita no Estado.
João estava afiado na manifestação e mirou, como nunca, na administração e no estilo do atual governador, uma crítica que passou pela falta de diálogo de Jorginho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por conta da falta de afinidade ideológica:
“Um governador não pode ficar sem falar com o presidente, o dinheiro não é dele (do Lula), é do povo!”
Em outro ponto, João declarou que acompanha “crianças que precisam de cirurgias de média e alta complexidade e estão na fila, que não anda, mas o governo (do Estado) gasta com propaganda” para dizer o contrário.
Apoiado em um vídeo onde mostrou as realizações de prefeituras do PSD pela Estado, principalmente Chapecó, mas nenhuma delas incluía as de Florianópolis, João propôs uma nova forma de gerir o Estado, “mais próxima das pessoas” e não apenas com a promessa de recursos depois que o prefeito assina a ficha de filiação e lhe “é perguntado de quanto precisa”.
Ausências e presenças foram notadas
Como o evento era na Região Metropolitana da Capital, a ausência do prefeito Topázio Neto, de Florianópolis, foi um indicativo de que há um distanciamento cada vez maior entre o mandatário e o PSD.
Topázio e o secretário Paulo Bornhausen (Articulação Internacional e Projetos Estratégicos) são da ala do partido que defende seguir com Jorginho.

Outra ausência estratégica foi no telão de LED, onde, ao contrário do primeiro evento, em março passado em Chapecó, a figura do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não aparecia entre os governadores Ronaldo Caiado (União), de Goiás; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; e Carlos Massa Ratinho Júnior, pré-candidato à Presidência do PSD, e o próprio João Rodrigues.
Entre as justificativas estão o fato de que, em torno daqueles mostrados, há a possibilidade de aliança nacional ao Planalto, e que, embora João seja amigo pessoal do ex-presidente, seria uma maneira de remeter ao partido do já escolhido como adversário a ser batido, Jorginho Mello.
CTG recebeu verdadeiras torcidas
Em um dos galpões do CTG Os Praianos, gente vinda do Litoral Norte, do Sul e até do Oeste, viveu momentos de uma atmosfera de convenção.
Havia o locutor estilo apresentador de rodeio, que veio do Oeste, e uma animada parte de bateria de uma escola de samba, em um cenário de alguns cartazes que lembravam nomes para 2026, entre eles o do presidente da Assembleia Julio Garcia.

Organizados em grupos ora com camisas azuis, ora brancas com detalhes nas cores da bandeira do Brasil, com balões e bandeiras, os grupos que vieram de ônibus se manifestavam a cada discurso, algo em torno de três mil pessoas, segundo os organizadores, que lotaram as dependências do evento, além das pessoas na janela do lado de fora a observar o evento.
Discursos que lembravam “uma campanha”
No palco que virou palanque, revezaram-se o anfitrião prefeito Orvino de Ávila, de São José; os deputados Julio Garcia, Napoleão Bernardes e Nilso Berlanda (que aguarda a janela eleitoral entre março e abril ou a complacência do PL para trocar para o PSD). Todos reforçaram o apoio ao projeto de João e do partido, na eleição do ano que vem.

Um dos pontos mais ruidosos foi durante as manifestações da prefeita Juliana Pavan, de Balneário Camboriú, e do prefeito de Camboriú e ex-governador Leonel Pavan, que chegou literalmente correndo pela passarela que levava ao palco, após uma viagem oficial a Brasília.
Pavan tinha o trunfo de ter garantido recursos federais, apesar de ser adversário do governo do PT, reclamou do sinal da internet do Aeroporto Hercílio até o local do encontro, depois palpitou para as pessoas tirarem selfies com João fora do palco; Juliana, saudada mais tarde por João, como “futura governadora do Estado”, inflamou os presentes ao dizer “estamos em campanha, João”, e completar: “time que não entra em campo, não joga!”

Entre as presenças significativas de ex-prefeitos estavam Clésio Salvaro (Criciúma), Rogério Pacheco (Concórdia) e Gean Loureiro (Florianópolis), que representou o União Brasil, entre outros.