Governador havia feito o convite, que foi tema de reunião da cúpula do Novo, manobra que tira o MDB do posto e ameaça Esperidião Amin (PP) ao Senado
Simbolicamente no dia 22 de janeiro, o governador Jorginho Mello (PL) anunciou o prefeito Adriano Silva (Novo), de Joinville, como candidato a vice na chapa à reeleição, decisão que comunicou antes aos aliados como uma união da direita em Santa Catarina.
A repercussão foi boa. Jorginho cercou Adriano de todas as formas, nos últimos três anos: presenças constantes na cidade, parceria no repasse de verbas nas áreas da saúde, educação e infraestrutura, além da sugestão ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) indicar a vice-prefeita Rejane Gambin na lista de prováveis companheiras de chapa à Presidência.
A coluna já trouxe uma avaliação sobre a aproximação de Jorginho junto aos prefeitos das maiores cidades do Estado, grande parte do PSD, mas com a atenção máxima a Adriano, reeleito no maior colégio eleitoral do Estado, considerado fundamental na reeleição do atual governador.
O anúncio ocorre um dia depois, de mais uma vez a cúpula do Novo, liderada pelo presidente nacional, o catarinense Eduardo Ribeiro, aterrissar em Joinville, agora a pedido de Adriano, que já trazia a oferta feita por Jorginho para ele ser o vice na campanha à reeleição.
No almoço, acompanhado pelo deputado Matheus Cadorin e vereadores, o assunto foi o futuro do prefeito, pressionado desde novembro passado, em encontro semelhante na Manchester catarinense, onde a cúpula pedia que Adriano concorresse este ano ao governo do Estado.
Estratégia tem um precedente nacional
O convite a Adriano respeita uma lógica que tem como se materializar em breve: Flávio Bolsonaro tem tudo para anunciar o governador Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, como vice na chapa ao Palácio do Planalto.
Jorginho sai na frente, de olho nos votos de Joinville e em cima do favoritismo de ser o bolsonarista na disputa ao governo do Estado, com jeito de que não quer arriscar nada e sonha com a vitória em primeiro turno, até porque as pesquisas indicam que os votos a Adriano levariam a disputa ao segundo turno.
É fato que construir com Adriano na majoritária tem implicação em outro tema delicado para o governador, já que descarta o MDB de vice e praticamente manda Esperidião Amin (PP) para longe na composição ao Senado.
A deputada federal Caroline de Toni (PL), a mais votada em 2022 no Estado, volta a ser a dona da vaga ao lado do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), pois o caminho natural, depois do apoio de Jorginho a Amin, seria a filiação da parlamentar ao Novo, agora aliado de Jorginho.
PSD só analisa o cenário
Ficará difícil para o partido comandado pelo deputado federal Carlos Chiodini explicar o porquê do MDB ter sido retirado, pela segunda vez, dos planos da majoritária ao lado de Jorginho.
A proximidade dos emedebistas nacionais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será o maior argumento usado pelo governador candidato à reeleição, enquanto o Manda Brasa terá que seguir um novo caminho.
O que fazer com as secretarias ocupadas pelo partido (Agricultura, Infraestrutura, Meio Ambiente) e a indicação à Fesporte será outra questão a resolver, afinal a desincompatibilização tanto de Chiodini quanto do deputado estadual Jerry Comper deverá ser feita até o início de abril, seis meses antes das eleições.
Em um vídeo, publicado nas redes sociais, Jorginho e Adriano fizeram uma apresentação do acordo político. Assista ao vídeo: