Governador já garantiu a parceria de Topázio Neto, de Florianópolis, mas mira em Joinville, São José, Criciúma e Balneário Camboriú, entre outros.
A tática está entre as mais recorrentes entre os candidatos à reeleição ao governo do Estado, angariar o apoio de prefeitos com a presença constantes e parcerias, roteiro que o governador Jorginho Mello (PL) tem seguido à risca.
É repetida porque tem repercussão entre os eleitores de cada cidade, mas não está imune a abandonos, de acordo com o projeto do partido do mandatário ou da capacidade do prefeito em mobilizar o verdadeiro exército de buscadores de votos: cabos eleitorais e vereadores.
Um dos mais procurados pelo governador é Adriano Silva (Novo), de Joinville, que aparece na foto principal em recente visita oficial de Jorginho.
Tanta constância na presença do governador no maior colégio eleitoral do Estado faz Adriano evitar tratar do futuro, em 2026, mesmo pressionado pela cúpula do Novo para encarar a candidatura ao governo e não aguardar o quadro em 2030.
Exemplo claro de apoio ao projeto de Jorginho à reeleição, o prefeito Topázio Neto, de Florianópolis, segue desgarrado do PSD e cada vez mais próximo do governador.
Brinca com o cachorrinho “Grã-fino”, adotado por Jorginho, no gramado da Casa d’Agronômica, conversa muito ou costuma figurar em vídeos para as redes sociais a bordo de um Karmann Ghia, de cor laranja, para eventos e inaugurações, como no vídeo a seguir, na liberação da terceira pista em um trecho da SC-401, que leva às praias do Norte da Ilha de Santa Catarina, na Capital.
Se Topázio não precisa ser convencido, nem mesmo o prefeito João Rodrigues, pré-candidato ao governo pelo PSD, escapa do “charme político” de Jorginho, que tem presença constante em Chapecó e região, com apoio financeiro a projetos de todos os portes.
Vale o mesmo para Vaguinho Espíndola (PSD), de Criciúma, e Juliana Pavan (PSD), de Balneário Camboriú, ainda impactada pela estadualização do Hospital Ruth Cardoso, um peso retirado dos cofres da prefeitura e foco de reclamações constantes de quem procura atendimento.
Foto: Roberto Zacarias/SecomGOVSC
Vale o exemplo de Moisés
Não há como desprezar o objetivo de convencer a implodir uma candidatura adversária de dentro para fora, atrair os prefeitos do PSD a aderirem à causa da reeleição.
A estratégia tem lá seus riscos, que o diga o ex-governador Carlos Moisés, que, em 2022, contava com prefeitos dos mais variados matizes, porém não teve a mesma repercussão junto ao eleitorado deles.
Jorginho é hábil politicamente, com larga experiência em eleições, e ainda buscará surfar em uma nova onda Bolsonaro, desta vez não com Jair mas com o senador Flávio e com a grife em volta: o ex-vereador Carlos Bolsonaro ao Senado e o provável candidato a deputado federal, o vereador Jair Renan, de Balneário Camboriú.
Nem a dor de barriga causada pela saída de Carol de Toni do circuito e do PL, com a escolha de Esperidião Amin (PP), que pretende valorizar os louros da aprovação do projeto de Dosimetria para encaminhar a reeleição ao Senado, parecem preocupar Jorginho, determinado a trazer mais apoio para sua campanha.
Cabe a João e aos outros que devem estar na disputa encontrar dissidências e líderes dispostos a praticar a mudança de lado, uma das tradições da política partidária, justamente para impor barreiras que ainda não podem ser notadas à pretensão de Jorginho.
De domicílio eleitoral novo
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) já oficializou a troca do domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Santa Catarina.
Por lei, ele poderia fazer a troca no ano que vem, mas a antecipação é um recado: não vou desistir de concorrer ao Senado e acaba com as especulações de tentar a sorte eleitoral em outro Estado.
Júlia Zanatta nos bastidores da Assembleia
CRÉDITO: ROBERTO AZEVEDO/HN NOTÍCIAS
No último dia de trabalhos na Assembleia, quando o plenário já estava vazio e o presidente Julio Garcia fazia o balanço do ano no Legislativo, na Sala de Imprensa, a poucos metros dali, a deputada federal Júlia Zanatta (PL) era a atração no tapete que dá acesso aos gabinetes.
A parlamentar abriu mão da última semana de trabalhos presenciais na Câmara, em Brasília, para estreitar parcerias, como a que possui com o deputado Oscar Gutz (PL), que tem base no Alto Vale do Itajaí, de olho em 2026, quando dobradinhas são fundamentais para uma reeleição mais tranquila.
Difícil foi conversar com Júlia, interrompida a cada segundo para fazer uma selfie com vereadores e representantes de municípios que estavam na Assembleia para garantir aquela raspa de tacho dos recursos. Nem na foto ela escapou da tietagem.