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Política

Lula e Flávio nunca debateram nem querem, e Topázio sugere a expulsão de João do PSD

Principais candidatos à Presidência não gostam do enfrentamento e encontraram argumentos para fugir do embate em frente as câmeras

Roberto Azevedo |

Foto: Reprodução

A indignação da interferência do Tribunal Superior Eleitoral, com a decisão da ministra Estela Aranha, que mandou tirar a cadeira e o púlpito vazios de Lula no cenário do debate da TV Globo, e mais a do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que atendeu a um pedido do Solidariedade para incluir Renan Santos (Missão) no encontro, caiu como uma luva para que o senador Flávio Bolsonaro (PL) seguisse o caminho de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não participasse do evento, que acabou cancelado na noite de quinta-feira (1º).

Enquanto entidades da comunicação, como a Associação Brasileira de Rádio e TV (Abert), criticam a interferência do Poder Judiciário no jogo eleitoral, vale lembrar que nem Lula nem Flávio estavam muito afim do encontro.

O petista porque estaria em desvantagem numérica contra quatro candidatos de direita (Romeu Zema, do Novo; Ronaldo Caiado, do PSD; Augusto Cury, do Avante; e o próprio candidato do PL, na versão original do programa) e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro por ter dito, aos quatro ventos, que não participaria de debate algum com Renan, e ainda deve ter sido alertado que, na ausência do atual inquilino do Planalto, seria o alvo das críticas e disparos por parte dos demais postulantes ao Planalto, pouco preocupados em manter uma pseudo unidade ideológica. Flávio ocuparia, em todos os sentidos, o lugar de Lula no pelotão de fuzilamento eleitoral, o paredão.

Resultado prático, ambos foram fazer o que mais gostam, falar para a própria bolha: Lula no Flow Podcast, a quem serviu café, pão de queijo e hamburguer, no Palácio da Alvorada; e Flávio, no próprio canal, onde pôde gritar contra a “censura” que o levou a desistir do evento global.

Sem os dois frente às câmeras, quem ganhou um argumento definitivo foi a TV Globo, que preferiu cancelar o que seria um “programa humorístico de gosto duvidoso”, que não renderia audiência, mas geraria infinitos memes nas redes sociais, recheados de erro de informação e de português.

Convidados seriam o exército de Brancaleone

O que sobrou sem Lula e Flávio foi o que pode ser chamado de “Exército de Brancaleone”, politicamente maltrapilho, um amontoado dos que sobraram, sem qualquer chance de atrair algumas dúzias de telespectadores e não por muito tempo. Os dois candidatos preferenciais da disputa evitaram perder votos.

Na realidade, Zema já entraria com baixas, abandonado por quem foi seu fiel escudeiro no passado recente, como o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), agora candidato ao Senado, que bandeou-se para Flávio, seguindo uma tendência partidária que começou pela sigla catarinense; e Caiado na mesma esteira, deixado no fim do caminho, entre outros, pelo candidato ao governo João Rodrigues (PSD), que decidiu ir com o candidato do PL por causa do sobrenome que rende votos em Santa Catarina.

Cury, que chegou a ser a sensação há duas semanas, não passou de um personagem de mais um “voo de galinha” e derreteu.

Renan ganhou uma boa projeção para quem não tem tempo de rádio e TV em função da pressão para participar do debate não realizado, fez um barulho que lhe deu espaço na mídia alternativa e nas redes sociais: um “heroi” contra o sistema.

Por todos estes motivos, Lula disse que não gosta dos debates na Globo, Flávio aproveitou para dar mais um chute na emissora dos Marinho por tabela, e nós, eleitores e profissionais da imprensa, fomos poupados de um “show de horrores”, que, se não fosse pela indevida participação de ministros togados do Judiciário, ficaria bem para todo mundo, até para quem decidiu cancelar o encontro democrático.

A revanche de Topázio contra o PSD

Quem jogou uma pá de cal na já combalida campanha de João Rodrigues ao governo foi o prefeito de Florianópolis Topázio Neto (Podemos) que teve que pedir desfiliação do PSD para evitar ser expulso por apoiar Jorginho Mello (PL), e agora sugere que o ex-partido tome atitude semelhante com o ex-prefeito de Chapecó.

O que Topázio chama de coerência em direção a Jorginho foi o objeto de pressão, principalmente por parte de João, e resultou na troca de partido, além do desgaste.

A publicação nas redes sociais, que rendeu comentários positivos de muitos assessores graduados de Jorginho, que podem ser visualizados, serviu como um desabafo contra antigos críticos.

Assista ao vídeo de Topázio.

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