A decisão foi tomada em reunião do diretório estadual nesta segunda-feira (26) depois do anúncio do prefeito Adriano Silva (Novo) para vice do PL
O MDB decidiu, em reunião do diretório estadual, orientar pelo desembarque da administração Jorginho Mello (PL), depois que o governador anunciou o prefeito reeleito de Joinville, Adriano Silva, como candidato a vice na chapa à reeleição.
A senha foi dada pelo deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, que, antes mesmo do início do encontro, no Hotel Castelmar, nesta segunda-feira (26), entregou o cargo de secretário estadual da Agricultura e Pecuária ao governador, situação que já era de conhecimento de integrantes da cúpula da sigla.
Na nota oficial, divulgada após a reunião do diretório, as palavras foram minuciosamente medidas, sem que o rompimento parecesse mais grave do que realmente o é, tampouco agradeceu aos espaços concedidos por Jorginho.
O patrimônio do partido o faz ainda o maior do Estado, organizado em todos os 295 municípios catarinenses, e pelo fato de ter administrado Santa Catarina com seis governadores.
Os secretários Jerry Comper (Infraestrutura e Mobilidade) e Cleiton Fossá (Meio Ambiente e Economia Verde), mais o presidente da Fesporte, Jeferson Ramos Batista, indicado pelo vice-presidente da Assembleia, deputado Fernando Krelling, devem deixar o governo.
O que mais pesa na decisão é a dignidade do partido, anunciado pelo menos duas vezes como vice na chapa à reeleição pelo próprio Jorginho, depois descartado.
O MDB deve buscar novos caminhos, como o projeto próprio ao governo, embora tenha deixado claro que “abrirá diálogo com outras legendas que compartilhem dos mesmos princípios, valores e ideais emedebistas, visando a construção de convergências políticas responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento de Santa Catarina”.
Também poderá conversar com o prefeito João Rodrigues (PSD), de Chapecó, que já descartou a legenda em discurso.
Verticalização foi um dos adversários
Jorginho busca uma vitória em primeiro turno, o que evitaria de embates com o prefeito João Rodrigues (PSD), de Chapecó, outro candidato da direita.
Ou mesmo com um antigo aliado, o ex-presidente da Assembleia, por três vezes, Gelson Merisio, que deve disputar o governo pelo PSB, dando palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com apoio da JBS.
Lula é um dos motivos para o distanciamento com o MDB, separação apregoada por integrantes do PL, já que a sigla deve estar aliada no projeto à reeleição à Presidência, embora grande parte dos emedebistas catarinenses não comunguem desta possibilidade.
Quórum qualificado marcou o encontro
A reunião foi chamada para reunir os 71 integrantes do diretório estadual e conseguiu atrair a maior parte da cúpula.
Com Chiodini, estavam os deputados federais Rafael Pezenti e Valdir Cobalchini; os estaduais Emerson Stein, Tiago Zilli e Volnei Weber, e os ex-governadores Paulo Afonso Vieira e Eduardo Pinho Moreira, além da ex-deputada Dirce Heiderscheidt, secretária especial do MDB Mulher, e de Reenã Fedrigo, 4º suplente da executiva.
Na matemática eleitoral, a presença do MDB na disputa deve favorecer a realização de um segundo turno.
Lei a nota oficial na íntegra:
“Nota oficial do MDB Santa Catarina
Na noite desta segunda-feira (26), o MDB de Santa Catarina (MDB-SC) realizou uma reunião no Hotel Castelmar, em Florianópolis. Na ocasião, por decisão unânime, o diretório estadual do partido deliberou as seguintes orientações políticas:
- Construção de projeto próprio:
A partir deste momento, o MDB-SC iniciará a construção de um projeto próprio para as eleições ao Governo do Estado de 2026, alinhado aos anseios da sociedade catarinense e em consonância com os 60 anos de história, legado e conquistas da sigla.
- Diálogo e articulação política:
O partido abrirá diálogo com outras legendas que compartilhem dos mesmos princípios, valores e ideais emedebistas, visando a construção de convergências políticas responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento de Santa Catarina.
- Independência:
O diretório do MDB-SC orienta seus filiados a se desvincularem de funções que exerçam no que no Governo do Estado. Independente de posicionamentos no campo político-eleitoral, a sigla reafirma que seguirá apoiando, no âmbito do Poder Legislativo, todos os projetos que sejam de interesse do Estado e da população catarinense, mantendo sua postura de responsabilidade institucional, mesmo que esteja se desvinculando do atual Governo.
O MDB de Santa Catarina reforça, assim, seu compromisso histórico com o diálogo, a democracia e o desenvolvimento de Santa Catarina.”