Ministro do STF nega que tenha agido sobre o Banco Master e que contatos com o presidente do Banco Central foram sobre Lei Magnitsky
Com notas e negativas sobre a relação da esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, na operação fraudulenta do Banco Master junto ao Banco Regional de Brasília, o BRB, ou mesmo sobre os contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro Alexandre de Moraes tenta pôr panos quentes em uma situação mais do que delicada.
Para preservar a instituição onde atua ou tentar mudar a imagem, já bastante atacada, Moraes deve explicações à sociedade brasileira.
É mais um capítulo no rumoroso episódio escancarado pela reportagem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, divulgada na segunda-feira (22), onde afirma que o presidente do BC teria sido pressionado por Alexandre de Moraes em quatro ocasiões, por telefone e pessoalmente, acerca do Master, liquidado pela autoridade financeira do país.
De acordo com Malu Gaspar, o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, tem um contrato de prestação de serviços com o banco de Daniel Vorcaro que soma R$ 129 milhões.
Depois de uma nota oficial, pouco esclarecedora, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nova nota pública na noite terça-feira (23) para esclarecer os encontros que manteve com Gabriel Galípolo, após recentes acusações de suposta pressão no caso envolvendo o Banco Master.
Moraes confirmou que realizou duas reuniões em seu gabinete para tratar exclusivamente da aplicação da Lei Magnitsky, sanção que recebeu do governo de Donald Trump: a primeira em 14 de agosto, após a aplicação inicial da lei no dia 30 de julho; e a segunda, em 30 de setembro, quando, uma semana antes, a legislação havia sido direcionada à sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Sobre esta questão, o ministro afirmou que “em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão relativa à aquisição do BRB pelo Banco Master”. e também negou ter realizado ligações telefônicas sobre o tema e destacou que nunca esteve no Banco Central.
Leia nota de Moraes na íntegra:
“O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnistiky. A primeira no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/08; e a segunda no dia 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09.
Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente a aquisição do BRB pelo Banco Master. Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto.
Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central.”
O escritório de Viviane de Barci de Moraes atuou 22 vezes junto ao Supremo depois que Moraes assumiu a condição de ministro da mais alta corte, mas nunca foi o magistrado que atuou nos casos, o que confirma a alegada suspeição.
Fila para pedir novo impeachment de Moraes
O que corre em Brasília, ainda de acordo com apurações jornalísticas, é que as conversas entre Moraes e Galípolo foram descritas como “republicanas” e sem elementos de pressão.
Por isso, Moraes fez questão de reforçar que o escritório de advocacia de sua esposa “jamais atuou na operação BRB-Master perante o BC”.
O caso Banco Master, que envolve também disputas no sistema financeiro, tem inflamado os bastidores de Brasília, com narrativas de que os maiores bancos estariam articulando contra Daniel Vorcaro, dono do Master, em um cenário de conflitos de interesses e suspeitas.
Maior antagonista da direita, há lista de senadores e deputados, ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e também da base do governo Lula que querem agir em dois campos: abrir uma CPI sobre o caso ou aumentar a pressão dos pedidos de impeachment de Moraes.
Será irônico que toda a força da oposição não tenha conseguido convencer a abertura de um processo de impeachment do ministro do STF, mas que a suposta escorregada de Moraes junto ao presidente do Banco Central se caracterize no calcanhar de Aquiles para seu futuro no cargo.