Eleições de 2026 serão marcadas pela influência do quadro nacional nas costuras estaduais
O ano começa com algumas indefinições sobre quem serão os concorrentes ao governo do Estado e à Presidência da República, porque não há como dissociar o quadro nacional para determinar os movimentos no tabuleiro político de Santa Catarina.
Favorito à reeleição, o governador Jorginho Mello, do PL, tem dado pulos de alegria com o crescimento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, também do 22, ao Palácio do Planalto.
Nem precisava tanto, pois como revelam os institutos de pesquisa, a força do sobrenome Bolsonaro faz a diferença nos três estados do Sul, principalmente em Santa Catarina, algo reforçado depois que Jair Bolsonaro fez uma “Carta de Recomendação” para ungir Flávio na disputa.
O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, amigo de Jair Bolsonaro, prometeu que renuncia dia 23 de março próximo, dia do aniversário dele, para cair na estrada em busca de votos, o que dependerá de uma construção com outros partidos, com mais tempo de rádio e TV.
Esta situação não se consolidou, ainda, em função da força de Jorginho, com a caneta na mão, que partiu para amealhar aliados, diferente de 2022, quando não precisou, ao surfar na segunda onda Bolsonaro.
Ex-deputado federal e prefeito de Blumenau por duas vezes Décio Lima, do PT, hoje na presidência do Sebrae, deve mesmo seguir ao Senado e deixar uma terceira disputa ao governo para trás, mesmo com o histórico de ser o primeiro candidato de esquerda a chegar ao segundo turno de uma eleição ao governo do Estado pela primeira vez, há quatro anos.
Ao apostar no benefício que poderá ter com o pré-anunciado rompimento da deputada federal Carol de Toni com o PL, em função da imposição do nome de Carlos Bolsonaro pelo pai ex-presidente e a preferência de Jorginho por Esperidião Amin, do PP, Décio quer ser a surpresa tal qual foram Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (então no PSDB), em 2002.
Quadro nacional interferirá na costura local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca uma reeleição para um quarto mandato, em cima de números que considera positivos na economia e no trunfo de ter aprovado no Congresso, por unanimidade, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, sem esquecer a volta por cima depois do tarifaço de Donald Trump.
O menor número de brasileiros sem ocupação da história, divulgado agora, ajuda, mas não será tudo se a taxa de juros não recuar, como o previsto para o segundo semestre, ou se os preços dos alimentos não se mantiverem equilibrados.
O grande obstáculo ao atual inquilino do Planalto será vencer a grande rejeição que o acompanha, notoriamente no Sul e no Sudeste.
A direita deve ter mais nomes no cardápio federal
João Rodrigues conta com a força de Carlos Massa Ratinho Júnior, governador do Paraná, pré-candidato do PSD ao Planalto, caso Flávio Bolsonaro perca musculatura e velocidade, que hoje não são do senador fluminense, mas recall do pai ex-presidente.
Ratinho é bolsonarista como outro governador, Ronaldo Caiado, do União Brasil, de Goiás, que por ora se equilibra para garantir-se na disputa.
O governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, ainda não encontrou uma companhia sheakesperiana na chapa, uma Julieta eleitoral, que complemente a sua condição de simpatizante do bolsonarismo.
Feito este movimento, depois de ser cotado para vice de Flávio Bolsonaro, Zema será a influência definitiva para que o prefeito reeleito em primeiro turno de Joinville, Adriano Silva, decida o que as cúpulas nacional e estadual querem para 2026, que concorra ao governo do Estado.
Adriano tem potencial, precisa estadualizar o nome, assim como João Rodrigues, mas a simples menção de sua pré-candidatura tem deixado em alerta até o favorito Jorginho, que torce, desde já, para que Zema esteja com Flávio e que o prefeito de Joinville tenha que compor com o PL local.
Estrela do Novo, primeiro prefeito eleito no Brasil pela sigla, Adriano prefere estar na disputa em 2030.
Pelo sim, pelo não, escreva aí que há muitos caminhos a percorrer ainda até as definições nas convenções entre julho e agosto próximos, entre os muitos desejos de quem quer ser candidato e pode virar abóbora à meia-noite.
E a esquerda, que já possui o vereador, ex-vice-prefeito de Florianópolis e deputado estadual Afrânio Boppré (PSOL) no páreo, terá que dar palanque a Lula em terras catarinenses.
Da direita, o recém-criado Missão, oriundo do Movimento Brasil Livre (MBL), lançou o nome do empresário Marcelo Brigadeiro ao governo de Santa Catarina, e há o balão de ensaio do centro-esquerda, com o ex-senador e vice-governador Paulo Bauer, que ainda precisa dizer sim ao PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Lembrem-se de que, em ano eleitoral, o aliado de hoje pode ser o adversário de amanhã e que nenhum líder está isento de solavancos, crises, escândalos e revezes no meio do caminho, sejam reais ou fabricados pela famigerada onda de fake News que aumenta neste período e já está presente em seu grupo de WhatsApp ou nas redes sociais.