Uma reunião na semana passada, onde as cúpulas do Novo, estadual e nacional, estiveram em Joinville, foi pano de fundo para mais um pedido da sigla para que o prefeito Adriano Silva formalize o projeto ao governo em 2026, principalmente depois que o nome dele, mesmo não estadualizado, alterou o quadro em recentes pesquisas, ao tirar votos do governador Jorginho Mello (PL).
Reeleito em 1º turno no maior colégio eleitoral de Santa Catarina, Adriano disse, pela enésima vez, que mantém a coerência assumida com o joinvilense e pretende completar o mandato, e que adiaria uma candidatura para 2030.
O posicionamento leva a calcular que, embora esteja cumprindo uma determinação assumida em 2024, Adriano, um dos líderes da direita no Estado, dificilmente se esquivará a um apelo nacional, caso o governador Romeu Zema, de Minas Gerais, dispute a Presidência da República.
Em outro cenário, uma provável composição de Zema com os governadores Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), do Paraná – o que implicaria estar com o PSD, de João Rodrigues, no Estado -, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, levaria a inevitável revisão da composição em Santa Catarina, que hoje aponta para Adriano mais próximo de Jorginho Mello (PL).
Se esta etapa entre Ratinho e Zema for confirmada, haveria uma disposição, ainda em gestação, de que, no futuro próximo, quem estiver em melhor condição nas pesquisas, João ou Adriano, seria o cabeça de chapa e o outro vice.
Alinhamento para 2026 motivou o encontro
O encontro em Joinville não foi ao acaso, já que a sigla tem, pelo menos, dois desafios para a próxima eleição: eleger um número maior de deputados federais para garantir o tempo de rádio e TV e o Fundo Partidário, apesar de nunca ter defendido o seu uso; além de se consolidar no quadro, já que sua força está concentrada no Sul e no Sudeste.
Saiba que o Novo elegeu apenas cinco deputados federais, em 2022, ficando abaixo do limite da cláusula de desempenho que era de sete parlamentares, e precisa eleger 13 deputados federais ou ter 2,5% dos votos válidos, em 2026, para voltar as ter os benefícios das demais siglas.
Adriano e a vice Rejane Gambin foram os primeiros integrantes do Novo a vencerem uma prefeitura no país, em 2020, e logo a forte Joinville, que tem um eleitorado invejável e sem a qual ninguém conquista o governo catarinense.
A marca do sucesso da gestão do partido na mais populosa cidade de Santa Catarina garante espaços junto ao eleitorado, mas também serve para catapultar Adriano.
Planos passariam pelo Senado
Para avaliar a relevância do Estado para o Novo, o presidente nacional da sigla é catarinense, o bioquímico Eduardo Ribeiro, formado pela UFSC e com base no Vale do Itajaí.
Por ele passará a decisão de propor ao deputado federal Gilson Marques desistir do projeto ao Senado, para o qual já foi lançado, ir à reeleição, e ter apenas como candidata a deputada federal Caroline de Toni, que aguarda tão somente a janela eleitoral, entre março e abril do ano que vem, para desembarcar do PL.
À mesa existe uma proposta para que Carol de Toni seja a única candidata do Novo ao Senado, que poderá pedir voto para o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) sem restrições partidárias, com a garantia que terá o segundo voto dos bolsonaristas.
Na reunião em Joinville, registrada na foto, além de Adriano e Rejane, estiveram Eduardo Ribeiro, o presidente estadual, Kahlil Elias Assib Zattar; o deputado estadual Matheus Cadorin, o deputado federal Gilson Marques, o prefeito de Ascurra, Arão Josino; e mais um grupo que tem por finalidade ”recrutar” novos filiados, já que o Novo ainda faz uma avaliação técnica de potenciais candidatos.
PL corta remuneração de Bolsonaro
Seguindo a legislação, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, confirmou que o partido cortou a remuneração bruta de Jair Bolsonaro, presidente nacional de Honra da sigla, cerca de R$ 46.366,19.
Com a condenação a 27 anos e três meses por participação em uma tentativa de golpe de Estado, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro teve os direitos políticos retirados, o que o impede de exercer atividades partidárias.
Bolsonaro agora tem renda de cerca de R$ 37 mil, relativa à aposentadoria como parlamentar e à pensão de militar reformado, mas, em 2026, o Superior Tribunal Militar julgará sem o ex-presidente perderá a patente de capitão do Exército.
É que, pelo Código Militar Brasileiro, o integrante das Forças Armadas que receber pena criminal maior do que a de dois anos de reclusão perderá seus privilégios, o que inclui o soldo de quem estiver na ativa ou o subsídio de reformado na reserva.