Em 2018, antes que a onda Bolsonaro fosse decisiva para definir Carlos Moisés (então no PSL) como governador de Santa Catarina, o então deputado Gelson Merisio venceu o primeiro turno das eleições, uma última ação que pretendia ser avassaladora, mas com a derrota o mandou para os bastidores políticos até as últimas horas, quando ele confirmou ser pré-candidato ao governo este ano pelo PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Passados quase quatro anos do apoio de Merisio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, o ex-deputado aparece como alternativa da esquerda e centro-esquerda pelo PSB para respaldar um movimento em favor de Décio Lima (PT) ao Senado.
O PSB já tentou o nome do ex-vice-governador, ex-deputado e senador Paulo Bauer para cumprir o papel pró-Décio, sem sucesso, mesmo que saiba que o ex-tucano que desembarcou da sigla em 2024, depois de 20 anos, não tem cacoete de esquerdista, tampouco Merisio, que estava filiado ao Solidariedade.
Há outros interesses que pavimentam o caminho de Merisio, que desde 2022 é integrante do Conselho de Administração da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que apoiam a reeleição de Lula e agem para ter um palanque ao petista em Santa Catarina.
Em uma eleição de dois nomes para o Senado e a declarada insatisfação de eleitores da direita com a retirada da deputada federal Caroline de Toni (PL) da disputa para atender a imposição do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), há os que sonham que a esquerda pode ter chances na divisão de votos da direita, que ainda deve ter Esperidião Amin (PP) na disputa.
Interessante é que, mesmo em trincheiras diferentes em 2022, Merisio e o cunhado Antonio Gavazzoni, ex-secretário da Fazenda e presidente da Celesc, tiveram participação destacada na formação da equipe de Jorginho Mello (PL).
Deve ter sido em nome dos velhos tempos e de uma amizade que veio do parlamento estadual, de quando dividiram a presidência da Assembleia entre 2009 e 2010.
A participação do grupo de Merisio nunca foi exaltada, mas foi relevante no início da administração de Jorginho em postos-chaves.
Leitura fina serve para a análise
Tanto Merisio e Jorginho, quanto João Rodrigues, prefeito de Chapecó e pré-candidato do PSD ao governo, têm em comum a base eleitoral no Oeste.
É fácil perceber que com Merisio na disputa, alguns eleitores e prefeitos da região, que devem favores ao ex-presidente da Assembleia, possam atrapalhar as articulações de João, ainda mais com a força da JBS na região.
Merisio e João já estiveram juntos no PSD, mas fosse somente pela questão ideológica, a mudança do apoio do ex-presidente da Assembleia nos últimos quatro anos desabonaria qualquer estratégia para esta eleição, porém não é isso que conta no contexto econômico do maior produtor de alimentos do Estado.
Merisio tem histórico de formar alianças, mesmo que na base do “tratoraço”, e habilidade suficiente para cobrar faturas políticas pendentes, embora afastado da Assembleia desde 2018.
Quem são os pré-candidatos ao governo do Estado
Jorginho Mello (PL), atual governador e candidato à reeleição, eleito pela força do bolsonarismo no Estado, agora tem realizações a mostrar, mais os índices de qualidade de vida e da economia acima da média nacional, além de apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. Preside o PL no Estado desde 2012.
João Rodrigues (PSD), prefeito de Chapecó pela quarta vez, foi prefeitos e vice de Pinhalzinho, deputado estadual e federal, apoia o governador Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, à Presidência, sendo reconhecido pelo histórico de manifestações de direita. Quer mostrar que as muitas obras e feitos administrativos que realizou em Chapecó podem ser efetivados no Estado, inclusive no enfrentamento da problemática de pessoas em situação de rua.
Afrânio Boppré (PSOL), no quarto mandato de vereador em Florianópolis, foi vice-prefeito da Capital e deputado estadual, apoia integralmente a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Defende uma união da esquerda e centro-esquerda, o que facilitaria costuras políticas.
Marcos Vieira (PSDB), que está no quinto mandato de deputado estadual e preside o tucanato catarinense, é integrante do diretório nacional do partido. Aparece como um nome independente de centro-direita, mas depende das articulações em Brasília do PSDB para saber como será a participação na escolha do novo inquilino do Palácio do Planalto.
Marcelo Brigadeiro (Missão), médico veterinário, empresário, influenciador digital e ex-lutador do UFC, teve o nome lembrado para a disputa ao governo pelo seu ativismo nas redes sociais, em 2018, e agora deverá se candidatar pelo recém-criado Missão, sigla derivada do Movimento Brasil Livre (MBL). Apoia Renan Santos (Missão) à Presidência da República.
Gelson Merisio (PSB), é empresário e foi deputado estadual e vereador em Xanxerê, além de presidir o PSD em Santa Catarina. Comandou a Assembleia Legislativa por três vezes e concorreu ao governo do Estado, em 2018, sendo derrotado por Carlos Moisés (PSL), no segundo turno. Se a candidatura for confirmada, dará palanque para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2026.