Rodada de conversas ocorreu nesta terça-feira (27), em Florianópolis, para avaliar cenários
O prefeito João Rodrigues, pré-candidato ao governo pelo PSD, acompanhado do presidente estadual Eron Giordani, fez uma rodada de encontros, em Florianópolis, com líderes da federação União Progressista e do MDB, no que foi rotulado como uma avaliação de cenário.
As reuniões foram separadas e acompanhadas de um gesto que tem relevância na política: João e Eron foram às sedes de União Brasil e MDB, uma deferência às siglas.
Na prática, o Eron considera importante o contato, mas acredita que decisões sobre alianças ficam para depois da janela eleitoral, início de abril, quando ocorre também o fim do prazo para desincompatibilização de integrantes dos partidos que estão na administração de Jorginho Mello (PL).
O presidente do PSD tem razão, já que o PP, mesmo dentro da federação com o União, mantém, por ora, o apoio a Jorginho, enquanto aguarda os desdobramentos do anúncio do prefeito Adriano Silva (Novo), de Joinville, para vice na chapa à reeleição, como garante o secretário pepista Aldo Rosa, que não participou do encontro com João, estava em São Paulo, e que crava que, qualquer decisão deverá ser colegiada, depois de ouvir as bases.
A questão é o futuro do projeto do senador Esperidião Amin, que retorna do Japão no domingo (1º), considerado o principal ponto pelo presidente do União, deputado Fábio Schiochet, porém sem forçar o PP a uma guinada para fora da aliança com o governador, em nome do bolsonarismo, agora.
De fato, não há uma definição clara por parte de Jorginho sobre a chapa na majoritária, muito provavelmente com a deputada federal Caroline de Toni e o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro, ambos do PL, o que descarta Amin.
Sem cometer o mesmo erro
Eron avalia que o PSD e os partidos visitados ontem não devem tomar a mesma atitude de Jorginho, considerada por ele e por muitos precipitada e apressada, açodada na terminologia política.
“Jorginho conseguiu fechar quatro portas (as vagas para governador, vice e dois senadores) para 2026 e mais duas para 2030 (um candidato a governador do Novo, com Adriano, e um vice do PL)”, acentua o presidente do PSD.
Nesta tacada, o PSD considera que, além da forçada de barra, que por unanimidade é apontada com as digitais do publicitário Fábio Veiga, marqueteiro de Jorginho, o governador deixou de lado outras siglas importantes, leia-se Podemos, PSDB e PRD, que se juntam a União, PP e MDB.
Para Eron, está claro que o MDB quer construir um projeto próprio ao governo do Estado, uma resposta à rejeição recebida de Jorginho, enquanto a federação União Progressista deve esperar os futuros acontecimentos, embora considere as conversas desta terça-feira (27) um avanço em busca de coligações para outubro.
Companhia nas conversas partidárias diz muito
No encontro com a federação, João e Eron se encontraram com Schiochet, o ex-deputado Leodegar Tiscoski, presidente estadual do PP, e Amaro Lúcio da Silva, que representou Amin, acompanhados do ex-prefeito da Capital Gean Loureiro (União), que foi aliado dos pessedistas, em 2022, ao governo.
No MDB, a dupla pessedista foi recebida pelo presidente Carlos Chiodini, que retornará à Câmara no mês que vem depois de entregar o cargo de secretário da Agricultura a Jorginho, e o vice-presidente estadual, o também deputado federal Valdir Cobalchini.
Os dois pessedistas tinham o presidente da Assembleia Julio Garcia (PSD) e o coordenador da federação União Progressista, Fábio Schiochet, como acompanhantes, o que aumentou o peso da comitiva.
Aliás, nem o deputado Jerry Comper (MDB) tem previsão de quando sairá da Secretaria estadual de Infraestrutura e Mobilidade, tampouco o ex-vereador e deputado Cleiton Fossá, da pasta do Meio Ambiente e da Economia Verde, e Jeferson Batista, do comando da Fesporte.
Tudo indica que é o sintoma das ausências de Jerry e dos colegas Antídio Lunelli e Fernando Krelling na reunião do diretório estadual emedebista, na segunda-feira (26), em Florianópolis.
Quadro nacional terá influência
Eron recebeu a confirmação de Schiochet de que o governador Ronaldo Caiado, de Goiás, deixou o União Brasil, assinou a ficha no PSD, que agora tem os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, para concorrerem à Presidência.
O PP ainda sonha com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do partido, como vice de Flávio Bolsonaro (PL), daí a cautela sobre deixar o posto no governo do Estado, mesmo que a tendência seja a do governador Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, repetir a dobradinha que teria influenciado Jorginho e Adriano no Estado.
O quadro nacional e uma verticalização natural estarão presentes nas costuras estaduais, visto que Ratinho Júnior, governador do Paraná e pré-candidato ao Planalto pelo PSD está na pista, assim como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, enquanto há dúvidas sobre a continuidade do projeto de Flávio.
A estratégia do PL é influenciar para diminuir o número de postulantes da direita à Presidência, o que renderia uma ainda incerta transmissão de votos ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na reta final do primeiro turno.
Mais de dois nomes, como Caiado, Zema, Ratinho Júnior e Tarcísio, embaralharia o jogo nacional e repercutiria nos estados, onde Santa Catarina não é exceção.