Duas notas, publicadas nas redes sociais, escancararam as divergências que existem entre o União Brasil e o PP, que compõem a federação União Progressista – a que tem o maior número de deputados federais -, na última sexta-feira (13), uma delas assinada pelos presidentes nacionais das duas siglas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o advogado Antônio Rueda.
O que poderia parecer algo isolado diante dos rumorosos fatos que envolvem o ministro Dias Toffoli, do STF, afastado da presidência do inquérito que investiga irregularidades em torno do Banco Master, teve efeito reativo na maior parte dos integrantes da bancada do PP no Senado, entre eles o catarinense Esperidião Amin.
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Os senadores discordaram dos termos da nota de Ciro e Rueda, que fazia uma defesa mais do que institucional de Toffoli, sob argumento de que “querem colocar o ministro contra a opinião pública” precipitadamente.
A nota que desagradou foi emitida, nas redes sociais, depois de Toffoli admitir ter sido sócio de um resort no Paraná, envolvido nas prováveis falcatruas de Daniel Vorcaro, dono do Master liquidado pelo Banco Central.
Embora seja coassinada pelo presidente nacional do PP e cotado para ser vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), a nota pró-Toffoli não agradou a bancada, da qual Ciro Nogueira faz parte, e resultou em uma reação ruidosa onde os parlamentares afirmam que “a posição expressa em nota divulgada pela Federação União Progressista não foi previamente debatida nem contou com a anuência desta bancada”.
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Em SC, outros assuntos já geraram desconforto
Após praticamente rifar Esperidião Amin de uma das vagas ao Senado, na chapa majoritária, a decisão de Jorginho Mello (PL) levou a cúpula da federação em Santa Catarina a conversar com o prefeito de Chapecó João Rodrigues, pré-candidato a governador pelo PSD.
O PP, representado pelo ex-deputado Leodegar Tiscoski, presidente estadual, e por Amaro Lúcio da Silva, que foi na condição de assessor de Amin, não parecia estar convicto do desfecho esperado para o encontro onde também estava o deputado federal Fábio Schiochet, presidente estadual do União Brasil, e o ex-prefeito da Capital e candidato ao governo, em 2022, Gean Loureiro.
Mesmo que Jorginho esteja prestes a oficializar a permanência da deputada federal Caroline de Toni no PL e dar a ela a posição ao lado do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), tem gente no PP, como o secretário nacional e estadual Aldo Rosa, que reafirma a intenção de permanecer ao lado do governador, sem acreditar na dispensa de Amin da majoritária.
Há ainda nítidos ruídos sobre quem comanda a federação em Santa Catarina, coordenada por Schiochet, mas que integrantes do Progressistas garantem deter ao comando estadual.
União e PP formaram a federação no Estado com 62 prefeitos, 604 vereadores, seis deputados estaduais – ao lado do MDB, a segunda maior bancada na Assembleia -, um federal e um senador.
Federação é objeto de cobiça de candidatos
Com quase R$ 1 bilhão de Fundo Eleitoral e R$ 197,6 milhões de Fundo Partidário, o maior entre todas as siglas, União Brasil e Progressistas necessitam, por lei, ficar unidos durante quatro anos e todos os atos nacionais valem nos estados e municípios.
Quem não estiver satisfeito ou quiser manter o aparente mau-humor que se verifica em Santa Catarina, terá que sair dos partidos para dar apoio oficial a um candidato a governador ou a presidente da República diferente do que a federação decidir compor.
Nas páginas virtuais nas redes sociais e na internet, assim como nos santinhos físicos, os candidatos pela federação só poderão utilizar fotos ao lado dos candidatos à majoritária (governador e presidente) apoiados por União Brasil e PP decididos em convenção.
Um dos grandes trunfos da federação é o tempo de rádio e TV, que atrai Jorginho Mello e João Rodrigues, e quem mais deseja de coligar com os dois partidos: mais de 2 minutos, um oásis para vem der a imagem e as propostas ao governo.
Está evidente que há muitos integrantes tanto de União quanto de PP que preferem seguir com Jorginho, mas a estratégia de privilegiar a candidatura de Amin à reeleição interfere no acordo, o que, por ora, beneficia João, antes que o acordo nacional verticalize a costura no Estado.