O projeto que analisa a redução de penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi o pano de fundo para que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupasse a cadeirado presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e causasse uma grande confusão ao ser retirado pela Polícia Legislativa Federal (PLF).
Ameaçado de cassação do mandato, Glauber iniciou um processo que resultou empurrões e agressões registradas próximos à mesa que dirige os trabalhos, entre parlamentares e policiais, mas também do lado de fora, onde jornalistas que cobrem o Congresso Nacional foram expulsos depois de impedidos de entrar no plenário, muitos em função da postura truculenta da PLF.
VÍDEO:
Até o sinal da TV Câmara foi retirado do ar para impedir o registro ao vivo dos lamentáveis acontecimentos, registrados unicamente pelos próprios parlamentares, como o que exibimos aqui, feito pela deputada federal Júlia Zanatta (PL).
O fato ocorreu durante a sessão desta terça-feira (9), depois que Motta pautou o projeto da dosimetria e o relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), declarou que, se aprovada, a matéria soltaria todos os presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e reduziria o cumprimento no regime fechado, com as devidas remissões.
No caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um dos beneficiados, a pena de 27 anos e três meses pela participação em uma tentativa de golpe de Estado cairia para 2 anos e 4 meses, hoje cumprida na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.
A regra valerá se Bolsonaro trabalhar e estudar. Enquanto a oposição comemorava, a bancada governista acusava Motta de ter cedido ao Centrão e ao PL para que uma espécie de anistia fosse aprovada.
Deputado está próximo da perda de mandato
A manifestação de Glauber Braga deve ser um dos últimos atos dele como deputado, pois foi uma reação a Motta, quando pautou a votação do processo de cassação do parlamentar fluminense, acusado de quebra de decoro por agredir por expulsar a chutes e empurrões o influenciador Grabriel Costenaro, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), da Câmara, em 16 de abril de 2024.
Não será o único caso a ser analisado pela Câmara, já que Motta pautou também o processo de cassação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos e já tem ausências suficientes para perder a cadeira, e os dos deputados Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Zambelli fugiu para a Itália, mas foi condenada pelo STF duas vezes – por se aliar a um hacker para invadir o sistema do CNJ e por perseguir um eleitor de Lula, na véspera do segundo turno de 2022, pelas ruas de um bairro de São Paulo – e Ramagem, que fugiu para os Estados Unidos, antes de começar cumprir a pena por tentativa de golpe de Estado.
À tribuna, parlamentares governistas lamentaram o ocorrido e, inevitavelmente, compararam a situação de Glauber Braga à invasão da mesa por integrantes da direita, entre eles os catarinenses Zé Trovão (PL) e Júlia Zanatta (PL), que fizeram um motim para obstruir os trabalhos na Câmara, em agosto deste ano, por 36 horas.
Zé responde a um processo disciplinar e terá aplicada uma censura escrita para 14 parlamentares; Júlia só está sujeita à censura escrita, mas nenhum ato de violência foi cometido.
Flávio Bolsonaro reúne presidentes estaduais do PL

O senador Flávio Bolsonaro (RJ) reuniu-se com presidentes de diretórios estaduais do PL, nesta terça-feira (9), em Brasília, para traçar estratégias e linhas de ação no projeto ao Planalto, em 2026.
Entre os presidentes estava o governador Jorginho Mello, que participou do primeiro encontro com o indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com os presentes, Flávio pediu para que os correligionários “demonstrassem unidade” às suas bases e reforçassem que a escolha partiu do ex-presidente, após declarar que encara o desafio como “missão” e reforçou que não serão aceitas dissidências.
Em uma decisão que foi reforçada, Flávio repetiu que o PL não permitirá alianças com partidos de esquerda nas eleições do ano que vem, resolução que vem desde 2024, mas que acabou quebrada, em alguns estados, onde o palanque chegou a ser dividido até com o PT.
Flávio espera o apoio de partidos que estão no chamado Centrão, mas é claro que o nome ainda não empolga, até porque os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, e Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, aparecem em melhor condição nas pesquisas à Presidência.