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Política

Último debate ao governo de SC teve enfrentamentos esperados

Gelson Merisio, João Rodrigues, Jorginho Mello e Ralf Zimmer estiveram frente a frente, na NSC TV

Roberto Azevedo |

Foto: Reprodução/NSC TV

A presença do governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição e líder nas pesquisas, deixou o último debate ao governo do Estado com cara de enfrentamento pleno, principalmente com o candidato João Rodrigues (PSD), a ponto dos dois, em determinado momento, demonstrarem um misto de nervosismo e ansiedade e ficarem com as mãos trêmulas em frente às câmeras, o que poucos repararam.

Os ataques entre os dois adversários deu o tom do encontro, com João buscando sensibilizar o eleitor para a divulgação de sua prisão, em 2018, um assunto que incomoda a mulher dele e as filhas e que considera uma provocação desnecssária, e Jorginho a dizer que não desrespeitou a família de ninguém, e que o candidato do PSD deveria ter pensado nisso quando foi flagrado vendo pornografia no celular, durante sessão da Câmara dos Deputados.

O assunto família ganhou mais um contorno delicado quando João confrontou Jorginho sobre um dos filhos do governador que adquiriu um imóvel de mais de R$ 11 milhões, e perguntou que “advogado tem condições de comprar algo neste valor”.

Nos bastidores, fora do ar, muita gente ouviu quando Jorginho disse a João:”Cuida comigo!”

Em outros momentos do debate, foi Gelson Merisio (PSB) quem atacou Jorginho sobre o que define como “cultura do ódio”, em episódios onde o governador teria incentivado a violência ao aparecer com arma na mão ou até um taco de beisebol para intimidar e mostrar que, em Santa Catarina, o tratamento contra bandidos é pesado.

Merisio insistiu no episódio da agressão à advogada Fernanda Klitzke, em Jaraguá do Sul, onde dois policiais militares abordaram a suplente na chapa de Décio Lima (PT) e um deles desferiu chutes quando ela estava sentada na calçada e deu tiros de borracha, situação que remete à violência contra a mulher, um dos motes da campanha do candidato do PSB.

Jorginho não rebateu, até porque a pergunta foi dirigida a João, que defendeu a postura da PM catarinense.

Curiosamente, Merisio não potencializou o bate-boca na Barragem Norte de José Boiteux, onde o governador disse palavrões a uma das caciques indígenas, e preferiu repetir o fato dos R$ 24 bilhões em recursos oferecidos pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para rodovias no Estado, projetos iniciados na administração de Jair Bolsonaro (PL), descartados pelo atual governador quando sugeridos pela gestão do atual presidente da República.

Assuntos que marcaram uma campanha inteira

Em outro momento, Ralf Zimmer (PRD) lançou seus três “dogmas”: um processo contra atos na Celesc que não avança no Judiciário e pegaria gente graúda, o fim do Universidade Gratuita com o dinheiro sendo direcionado ao ensino médio e os recursos da prefeitura de Chapecó (R$ 33 mil em mídia institucional) passada às rádios das filhas de João.

No mais, o candidato do PRD cumpriu, até certo ponto, o rótulo dado pelos adversários de “força auxiliar” de Jorginho.

Neste dois a dois, faltou sutileza ou retórica para os demais candidatos rebaterem o governador quando ele diz que “vocês estão 40 anos no poder”, pois Jorginho participou com apoio e integrantes da família nas administrações de Luiz Henrique (MDB) e Raimundo Colombo (PSD), ausentando-se apenas no período de Carlos Moisés.

Jorginho manteve a retórica de que os adversários veem uma Santa Catarina diferente do Estado de progresso e boas práticas que administra desde 2023, embora alertado por Merisio de que o êxito catarinense não começou há três e é sim resultado de seguidas gestões de qualidade em décadas.

Encontro ainda tem um propósito

Se avaliado o resultado básico do debate na NSC TV, um produto bem desenhado em sem falhas, que privilegiou o contato direto entre os candidatos, sem interferências editoriais, o eleitor teve uma boa base de quem são os candidatos na essência, sem as edições e a maquiagem dos programas editados na propaganda no rádio e na TV.

Basta ver as caras e bocas mostradas no programa ao vivo e as tantas que só eram vistas por quem estavam no estúdio, atrás das câmeras, e os sorrateiros comentários fora do microfone, algo que aumenta a relevância dos debates, mesmo que devamos concordar que a fórmula precisa ser atualizada, até ficar mais parecida com a que a própria TV Globo usou em São Paulo recheada de tecnologia, com um mapa interativo do Estado no piso do estúdio, onde os candidatos puderam localizar obras e fragilidades.

Por tudo que se avalia na história política de nossa ainda jovem democracia, não há vencedores declarados em um debate, tampouco um perdedor que saia arrasado, com raríssimas exceções, mesmo quando se percebe claramente os objetivos de cada um: o que tem sangue nos olhos para atacar o oponente à exaustão ou o que se dispõe a “aniquilar” o adversário que incomoda por trazer verdades inconvenientes ao grande público.

E se a pergunta for sobre o poder do debate em mudar votos, a resposta continua sendo não, até porque os candidatos estavam mais preparados do que no primeiro encontro, no SCC SBT, dia 21 de setembro, principalmente o governador candidato à reeleição, e , em regra, fora uma rusga aqui e outra atropelada ali, nada de novo pautou o encontro. Com a palavra, sua excelência o eleitor.

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