Mesmo que o Novo tenha eleito cinco deputados federais, um deles o catarinense reeleito Gilson Marques, e que o Missão já tenha um deputado, Kim Kataguiri (SP), as duas siglas não terão tempo de rádio e TV no horário eleitoral, que começa dia 28 de agosto deste ano.
O Novo não conseguiu cumprir a cláusula de desempenho, que previa a eleição mínima de 11 parlamentares ou eleger ao menos 11 deputados federais distribuídos em pelos menos um terço das unidades da federação, nove estados ou oito estados e no Distrito Federal; ou conseguir ao menos 2% dos votos válidos, com um mínimo de 1% em nove estados. Na prática, se fizesse sete cadeiras teria ao menos 13 segundos.
O DC não elegeu nenhum parlamentar e o Missão só foi homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 4 de novembro de 2025.
Estas siglas e seus pré-candidatos à Presidência (Romeu Zema, do Novo; Aldo Rebelo, do DC; e Renan Santos, do Missão), assim como seus candidatos a governos de Estado ou no Distrito Federal, dependerão de acordos políticos com outras siglas, que tenham tempo de rádio e TV para garantir alguns segundos no ar para pedir o voto do eleitor, nas chamadas coligações.
Alternativa é atuar no corpo-a-corpo ou nas redes sociais
A opção, no caso do Missão, por exemplo, que já disse não pretende fazer alianças, será pedir o voto nas ruas ou usar as redes sociais para convencer o eleitor, mas para quem concorrer a deputado estadual e federal esta é a única alternativa, pois não existe coligação na proporcional.
E o torniquete eleitoral irá aumentar: na eleição de 2026, os partidos para terem acesso ao tempo de rádio e TV e ao Fundo Partidário, terão que eleger 13 deputados federais em pelos menos um terço das unidades da federação, nove estados ou oito estados e no Distrito Federal; ou obter pelo menos 2,5% dos votos válidos, com um mínimo de 1,5% em nove estados.
Entendeu o porquê de ser fundamental eleger deputados federais para qualquer partido, não é só uma questão política, trata-se de sobrevivência.
Veja o tempo de cada partido ou federação em estimativa:
A coluna reuniu alguns dados dos próprios partidos e federações para mostrar o panorama destas eleições em relação à eleição presidencial.
Aqui não constam os centésimos que serão definidos pela Justiça Eleitoral, depois de fechadas as alianças nos estados, para as eleições de governador, senador e à Presidência.
Partidos e federações
Bancada na Câmara
Tempo de TV à Presidência
Federação União/PP
106
2 minutos e 28 segundos
PL
99
2 minutos e 24 segundos
Federação PT/PCdoB/PV
81
1 minuto e 59 segundos
MDB
42
59 segundos
PSD
42
59 segundos
Republicanos
40
56 segundos
Federação PSDB/Cidadania
18
31 segundos
Podemos
18
27 segundos
PDT
17
26 segundos
Federação PSOL/Rede
14
26 segundos
PSB
14
23 segundos
Federação PRD/Solidariedade
12
22 segundos
Avante
7
13 segundos
Importante é citar que dos partidos que já têm pré-candidato conhecido, apenas Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) cumpriram a cláusula de desempenho, também conhecida como de barreira, em 2022.
Se transportada esta realidade para a eleição ao governo em SC: Gelson Merisio (PSB, que deve estar com o PT, PSOL e PDT), João Rodrigues (PSD, que desenha uma aliança com MDB, PP e União Brasil), Jorginho Mello (PL, Republicanos e Podemos) e Ralf Zimmer (PRD/Solidariedade) terão tempo de rádio e TV e Marcelo Brigadeiro (Missão) não aparecerá no rádio e na TV.
Os cálculos no Estado serão feitos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) a partir das definições das convenções entre o final de julho e início de agosto próximos, com as respectivas alianças.