Quem usa ônibus em Criciúma pode sentir no bolso os próximos desdobramentos de um impasse milionário no transporte coletivo.
Um relatório da Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos, a Agir, colocou novamente em discussão o custo real da operação e o valor pago pelos passageiros.
Atualmente, a tarifa cobrada do usuário é de R$ 5,25. Já a chamada tarifa técnica, que representa o valor necessário para manter o sistema funcionando, foi calculada em R$ 9,35.
A diferença entre esses valores é o ponto que agora precisa ser discutido entre Município, concessionária e agência reguladora.
Segundo o Consórcio CriBus, responsável pelo serviço, o desequilíbrio acumulado chega a cerca de R$ 21 milhões. A Prefeitura de Criciúma, no entanto, afirma que o relatório não reconhece uma dívida do Município, mas indica a necessidade de reavaliar o contrato daqui para frente.
Na prática, há dois caminhos principais em discussão: aumentar o valor pago pelos passageiros ou ampliar o subsídio público destinado ao transporte coletivo. Também pode haver uma solução intermediária, combinando as duas medidas.
O Conselho Municipal de Transporte Coletivo ainda aguarda a manifestação técnica da Prefeitura e da concessionária. Após essa etapa, o tema deve voltar à pauta em reunião prevista, inicialmente, para o dia 1º de setembro.
Enquanto não houver uma definição, a passagem segue em R$ 5,25.
Em nota, a Prefeitura informou que mantém diálogo com a concessionária e com a Agir. A administração municipal também afirmou que analisa as conclusões apresentadas e que trabalha para garantir a continuidade do serviço, a segurança jurídica e a manutenção de uma das menores tarifas do transporte coletivo em Santa Catarina.
O transporte coletivo de Criciúma é operado pelo Consórcio CriBus, formado pelas empresas Critur e Expresso Coletivo Forquilhinha. O sistema conta com 102 ônibus e registra cerca de 900 mil giros nas catracas por mês nos três terminais urbanos da cidade.
A discussão ocorre meses depois de outra crise no setor. Em maio, ônibus da concessionária chegaram a ser apreendidos judicialmente por atraso no pagamento de financiamentos, o que gerou preocupação sobre a continuidade do serviço.
Por enquanto, não há decisão sobre reajuste. A definição dependerá das próximas tratativas entre Prefeitura, concessionária e agência reguladora.