Uma mulher que procurou uma clínica em Criciúma para fazer preenchimento labial acabou passando por três cirurgias reparadoras depois de desenvolver complicações graves. O caso foi parar na Justiça e terminou com uma indenização de R$ 31,4 mil.
O procedimento foi realizado em março de 2022. Segundo o processo, a paciente acreditava que receberia ácido hialurônico, substância bastante usada em preenchimentos estéticos.
Depois da aplicação, porém, os lábios começaram a endurecer. Também houve comprometimento da circulação sanguínea e áreas de necrose.
Com a piora do quadro, a mulher precisou buscar atendimento e relatou que chegou a correr risco de perder parte da boca.
Durante o tratamento, exames feitos no material retirado em cirurgia identificaram PMMA, o polimetilmetacrilato, substância diferente daquela que a paciente esperava receber.
Três cirurgias para reparar os danos
A mulher precisou passar por três procedimentos cirúrgicos para tentar corrigir as lesões. Dois deles foram realizados por um cirurgião-dentista bucomaxilofacial.
De acordo com o relato apresentado no processo, ela tentou procurar a responsável pela aplicação quando percebeu as primeiras complicações, mas não teria recebido o atendimento esperado.
A paciente afirmou ainda que, na época, a empresária se apresentava como biomédica e esteticista.
Justiça fixou indenização de R$ 31,4 mil
A condenação foi determinada em 2025.
Na sentença, a Justiça reconheceu falha na prestação do serviço e fixou R$ 15 mil por danos morais, R$ 15 mil por danos estéticos e R$ 1,4 mil por danos materiais.
O caso voltou a ganhar repercussão recentemente depois que a própria paciente relatou a experiência nas redes sociais.
Depois de descobrir a presença de PMMA, a paciente passou a conversar com outras mulheres que também atribuem complicações a procedimentos realizados pela mesma empresária.
Um grupo com cerca de dez pessoas passou a reunir exames, laudos, comprovantes de pagamento e registros de conversas.
Entre os relatos estão deformidades, necessidade de novas intervenções e casos de necrose. Pelo menos cinco mulheres registraram boletins de ocorrência.
Essas denúncias ainda precisam ser analisadas individualmente pelas autoridades e não representam, por si só, condenação nos demais episódios.
PMMA e ácido hialurônico não são a mesma coisa
O ácido hialurônico é absorvível e costuma ser usado em procedimentos estéticos temporários.
Já o PMMA é um material permanente. Por permanecer no organismo, eventuais complicações podem ser mais difíceis de tratar e, em alguns casos, exigir cirurgia.
A Anvisa mantém regras específicas para o uso de produtos à base de PMMA e orienta que procedimentos desse tipo sejam feitos apenas por profissionais habilitados e com produtos regularizados.