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Dias após fechar loja em Criciúma, Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões

Daiâna Farias |

Foto: Divulgação/Internet

Poucos dias depois de encerrar a única loja que mantinha em Criciúma, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial. A medida foi protocolada na noite deste domingo (16), em São Paulo, e envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

Em Criciúma, a unidade da Rua Seis de Janeiro, no Centro, fechou as portas na sexta-feira (14). Um comunicado colocado na fachada informou aos clientes o encerramento das atividades. Com isso, a rede deixou de ter operação física na cidade.

Na ocasião, a empresa não explicou especificamente por que a loja de Criciúma estava sendo fechada nem informou se pretende voltar à cidade com outro endereço. O encerramento, porém, aconteceu no mesmo período em que a companhia colocou em prática uma redução nacional da operação.

Quase 300 lojas entram no corte

O plano da Casas Bahia prevê o fechamento de 298 unidades consideradas menos rentáveis. O número representa aproximadamente 29% das 1.034 lojas que o grupo mantinha ao fim de junho.

A redução também atinge os empregos. Estimativas divulgadas após o anúncio apontam para milhares de desligamentos, enquanto sindicatos passaram a discutir com a empresa as condições das demissões.

A companhia vem reduzindo o tamanho da operação para concentrar recursos em lojas, canais digitais e negócios com maior capacidade de gerar caixa.

Prejuízo chegou a R$ 10,1 bilhões

A crise ganhou dimensão ainda maior após a divulgação do balanço do segundo trimestre.

Entre abril e junho, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Desse total, R$ 9,1 bilhões estão ligados a efeitos contábeis considerados não recorrentes e que, segundo a empresa, não tiveram impacto imediato no caixa naquele trimestre. Sem esses ajustes, o prejuízo ficou em R$ 978 milhões.

A companhia também encerrou junho com patrimônio líquido negativo e enfrentou dificuldades para conseguir novas alternativas de financiamento.

No comunicado enviado ao mercado, o grupo citou juros altos, crédito mais restrito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo entre os fatores que agravaram a situação.

O que significa recuperação judicial?

O pedido de recuperação judicial não significa que a Casas Bahia faliu ou que todas as lojas serão fechadas.

Esse processo permite que uma empresa em dificuldade financeira tente renegociar as dívidas com os credores enquanto mantém as atividades. Se o pedido avançar, será necessário apresentar um plano mostrando como pretende reorganizar as contas e pagar os débitos.

A própria Casas Bahia informou que pretende continuar atendendo normalmente pelos canais que permanecerem em funcionamento durante a recuperação, inclusive nas lojas físicas e no comércio eletrônico.

O pedido também engloba empresas do grupo ligadas à logística, comércio eletrônico, tecnologia e à fabricante de móveis Bartira.

E para os clientes de Criciúma?

Na cidade, o impacto mais imediato já ocorreu antes mesmo do pedido chegar à Justiça: a loja física foi fechada.

A unidade do Centro era conhecida por atender também consumidores de municípios vizinhos. Com o encerramento, clientes da região que ainda tenham compras, entregas, garantias ou outros serviços ligados à rede precisam recorrer aos canais de atendimento mantidos pela companhia.

A Casas Bahia afirma que a recuperação judicial foi escolhida justamente para preservar a continuidade das operações enquanto tenta reorganizar as dívidas. Agora, caberá à Justiça analisar o pedido e acompanhar os próximos passos da reestruturação.


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