O Tribunal do Júri de Araranguá condenou um homem de 28 anos e uma mulher de 27 por envolvimento no assassinato do empresário Paulino Turazzi Júnior, de 32 anos, ocorrido em agosto de 2024.
Os dois foram apontados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) como mandantes do homicídio. Já o homem que chegou a ser investigado como autor dos disparos foi absolvido por falta de provas suficientes.
Segundo a acusação, o crime teria sido motivado por uma dívida financeira entre a vítima e o casal.
Cada um dos réus foi condenado a 14 anos de reclusão pelo homicídio e a mais seis meses de detenção por fraude processual. Os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Os dois já estavam presos antes do julgamento. A mulher cumpria prisão domiciliar. Após a decisão, ambos tiveram negado o direito de recorrer em liberdade.
Empresário foi morto dentro do próprio negócio
Paulino foi assassinado pouco depois da meia-noite de 10 de agosto de 2024.
Ele estava em um pub e conveniência quando um homem entrou no estabelecimento e efetuou vários tiros. Quatro atingiram a cabeça do empresário, que morreu no local.
Na saída, o atirador ainda fez novos disparos. Um cliente foi ferido no tórax, recebeu atendimento médico e sobreviveu.
Carro comprado horas antes virou peça importante do caso
Durante o julgamento, o MPSC apresentou elementos que, segundo a acusação, ligavam o casal à preparação do crime.
Um deles foi a compra do veículo usado na ação. O carro teria sido adquirido pelos réus poucas horas antes do homicídio e depois utilizado para transportar o responsável pelos tiros.
Após o assassinato, o automóvel foi incendiado.
Para o Ministério Público, a destruição do veículo tinha o objetivo de eliminar vestígios e dificultar a investigação. Por esse motivo, o casal também foi condenado por fraude processual.
Mensagens analisadas no processo também mostraram cobranças relacionadas à dívida. Conforme a acusação, as conversas ficaram mais tensas nos dias anteriores à morte do empresário.
Suspeito de fazer os disparos foi absolvido
O julgamento teve um desfecho diferente para o homem que era apontado como possível executor.
O próprio Ministério Público pediu a absolvição depois de concluir que as provas reunidas não eram suficientes para afirmar que ele havia feito os disparos.
No começo da investigação, uma das principais evidências contra o suspeito era um reconhecimento feito por fotografia.
Durante o processo, porém, outras duas pessoas que estavam no estabelecimento naquela noite afirmaram que ele não era o homem que apareceu atirando.
As imagens das câmeras também não permitiam identificar com clareza o rosto do autor, que usava touca e boné.
A defesa apresentou ainda registros que indicavam diferenças físicas entre o acusado e o homem filmado no local, inclusive em relação à altura e à presença de tatuagens nas mãos.
Diante dessas dúvidas, o Ministério Público entendeu que não havia elementos suficientes para manter a acusação contra ele.
Os jurados acompanharam esse entendimento e absolveram o homem da acusação de ter executado o homicídio.
Com isso, o júri terminou com a condenação do casal apontado como mandante, enquanto a autoria dos disparos não ficou comprovada no processo.









