Nesta segunda-feira (1º/12), o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou à Justiça o acusado pelo crime bárbaro que ceifou a vida da estudante de pós-graduação Catarina Kasten, de 31 anos, e chocou Florianópolis há dez dias. O homem, que está preso preventivamente, foi denunciado por três crimes: feminicídio, estupro e ocultação de cadáver, tendo havido qualificadoras e agravante, o que levou o MPSC a buscar a punição máxima para o caso.
A denúncia foi protocolada na tarde desta segunda-feira, dia 1º, pelo Promotor de Justiça João Gonçalves de Souza Neto, da 36ª Promotoria de Justiça da Capital, que requer que o acusado seja submetido ao Tribunal do Júri. O caso agora será analisado pelo Juízo.
O denunciado deverá responder por feminicídio (artigo 121-A, § 1º, II, do Código Penal), praticado por menosprezo à condição de mulher, com as qualificadoras previstas no artigo 121, § 2º, III (mediante asfixia) e IV (recurso que dificultou a defesa da vítima), além do agravante do artigo 61, II, b (para assegurar a ocultação).
O acusado também foi denunciado por estupro (artigo 213, caput, do Código Penal), cometido mediante violência e com a agravante do artigo 61, II, c (emboscada), e por ocultação de cadáver (artigo 211 do Código Penal), por ter arrastado o corpo para local de difícil acesso e visualização.
Conforme o Promotor de Justiça, o crime foi praticado por razões da condição de sexo feminino, caracterizando-se pelo menosprezo à condição de mulher, haja vista que o denunciado utilizou a vítima como mero objeto para seu prazer sexual e, após a sua satisfação, acabou com a vida dela.
O assassinato de Catarina ocorreu no dia 21 de novembro de 2025, por volta das 7 horas, nas proximidades da trilha da Praia do Matadeiro, em Florianópolis. Ela havia saído de casa por volta das 6h50, uma sexta-feira, para uma aula de natação. Ao perceber a sua demora em retornar para casa, o companheiro dela acionou a Polícia Militar por volta das 12h, após confirmar que ela não tinha comparecido à aula. Ao ser preso, um homem de 21 anos confessou ter matado a jovem.
Intenção de matar
A denúncia do MPSC relata que o denunciado agiu com intenção de matar a vítima, de forma consciente e voluntariamente e por razões da condição do sexo feminino. Para tanto, envolveu o pescoço dela com um instrumento constritor (cordão/cadarço) e causou a morte por asfixia decorrente de estrangulamento.
O crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que a constrição cervical ocorreu quando ela já se encontrava fisicamente dominada e exausta, em razão da violenta abordagem e da agressão sexual sofrida instantes antes. O crime teve também como finalidade assegurar a ocultação e a impunidade do estupro previamente praticado.
Em relação ao crime de estupro, o denunciado, consciente e voluntariamente, constrangeu a vítima, mediante violência, a manter conjunção carnal e atos libidinosos. Para isso, surpreendeu-a na trilha, aplicou-lhe um golpe de imobilização do tipo “mata-leão”, arrastou-a para um local ermo na mata e, à força, consumou o estupro.
A denúncia assinala, ainda, que o crime foi cometido mediante emboscada, pois o denunciado, agindo de forma premeditada, ocultou-se atrás de uma lixeira para monitorar a movimentação no local. Após o feminicídio, o denunciado ocultou o corpo da vítima, arrastando-o para um ponto de difícil acesso e visualização, em meio à mata e às pedras, afastado da trilha. A denúncia tramita em sigilo e segue agora para a Vara do Tribunal do Júri da Capital.








