Skip to content
Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio do médico Miguel Abdalla Netto, seu tio, encontrado morto em janeiro deste ano na residência onde vivia, no bairro Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista. O patrimônio deixado por ele é estimado em cerca de R$ 5 milhões.

Na decisão, a juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões, afirmou que o histórico criminal de Suzane não interfere juridicamente no processo de inventário. Segundo a magistrada, diante da ausência de manifestação de interesse por parte do outro herdeiro, ela é a única pessoa apta a exercer a função de inventariante.

Miguel Abdalla Netto morreu aos 76 anos, era solteiro, não tinha filhos e não deixou testamento. Pela legislação sucessória, os bens devem ser destinados aos sobrinhos vivos, no caso Suzane e o irmão dela, Andreas von Richthofen. O espólio é composto por dois imóveis e um veículo.

A empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima do médico, disputava judicialmente a administração dos bens até a conclusão da partilha, mas teve o pedido negado. A defesa de Carmem informou que irá recorrer da decisão.

Como inventariante, Suzane passa a ser responsável pela administração e preservação do patrimônio deixado pelo tio, sempre sob fiscalização judicial. A função não a torna automaticamente herdeira, embora ela possa pleitear esse direito no decorrer do processo. Até a conclusão da partilha, ela não poderá vender, transferir ou usufruir dos bens, além de ter a obrigação de prestar contas à Justiça.

Miguel era irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 junto com o marido, Manfred. Suzane foi condenada como mandante do crime, assim como Daniel Cravinhos, seu então namorado, e o irmão dele, Cristian. Após o assassinato dos pais, Miguel chegou a ser tutor de Andreas, mas a relação entre eles se rompeu anos depois.

Em 2015, a Justiça declarou Suzane indigna de herdar o patrimônio dos pais, avaliado em cerca de R$ 10 milhões, transferindo integralmente os bens para Andreas. O médico também havia contratado advogados para tentar impedir que Suzane tivesse acesso à herança deixada pelos pais.