Neurocirurgião que pilotava Porsche e seis organizadores são indiciados por homicídio após acidente em Grão-Pará

Tragédia aconteceu em agosto e resultou na morte de Patrícia Oening Foss, de 38 anos, além de deixar duas pessoas feridas

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06/11/2025 11h06 - Atualizado há 1 mês
3 Min

Neurocirurgião que pilotava Porsche e seis organizadores são indiciados por homicídio após acidente em
Reprodução/Divulgação

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o acidente ocorrido durante o evento automotivo Subida da Montanha, em Grão-Pará, e indiciou o piloto de um Porsche e seis organizadores por homicídio doloso e lesão corporal.

A tragédia aconteceu em 22 de agosto e resultou na morte de Patrícia Oening Foss, de 38 anos, além de deixar duas pessoas feridas.

De acordo com a delegada Jucinês Ferreira, responsável pela investigação, as análises periciais descartaram falha mecânica e apontaram que o veículo trafegava a mais de 100 km/h no momento do atropelamento.

A apuração também revelou que o evento foi realizado sem autorização formal das autoridades e sem estrutura adequada de segurança.

As conclusões foram encaminhadas ao Ministério Público nesta quinta-feira (6).

Dinâmica do acidente

O motorista, um neurocirurgião de 37 anos, perdeu o controle do Porsche 911 Carrera durante uma exibição e invadiu a área destinada ao público, atingindo três mulheres.

O momento foi registrado por câmeras. O condutor chegou a ser preso, mas pagou fiança e foi liberado.

Em depoimento, ele afirmou que participava de uma largada promocional em trecho isolado da avenida quando o veículo avançou a área de escape e atingiu os espectadores.

Ainda conforme a delegada, durante os depoimentos, a maioria dos participantes negou ter havido incentivo a manobras arriscadas.

No entanto, vídeos obtidos pela investigação mostraram instruções aos pilotos para atingirem cerca de 150 km/h durante a exibição.

“Verificou-se que a maioria dos condutores realizou manobras controladas, e que apenas um ou outro praticou acrobacias que, embora não tenham resultado em acidentes, evidenciam o ambiente de risco assumido”, destacou Jucinês em nota.

A delegada acrescentou que o evento reuniu grande concentração de público, incluindo crianças e adolescentes, o que ampliou o risco e a previsibilidade do resultado.

“Os elementos analisados demonstram que o condutor e os organizadores tinham plena consciência do perigo criado, assumindo o risco das consequências fatais e lesivas diante das condições inseguras e da velocidade empregada”, completou.

Defesa do motorista

Em nota divulgada após o acidente, a defesa do piloto lamentou o ocorrido e afirmou que o cliente é piloto federado no Rio Grande do Sul, tendo contratado uma experiência chancelada pela federação catarinense de automobilismo.

Segundo a defesa, o episódio foi uma “tragédia” provocada por circunstâncias que ainda seriam esclarecidas por exames técnicos.

A nota também destacou que o motorista prestou socorro às vítimas e colaborou com a investigação.

Posicionamento da prefeitura

A Prefeitura de Grão-Pará informou que o evento era de caráter privado e que se solidariza com as vítimas e familiares.

Segundo o município, o desfile tinha o objetivo de mostrar os automóveis ao público, e os organizadores garantiram que o trajeto contava com áreas de frenagem e escape.

O que disse a organização

A organização da Subida da Montanha também lamentou a morte e afirmou que “todas as medidas de socorro foram tomadas de forma imediata”. 

Em comunicado, declarou que o evento visava apenas a demonstração dos carros em baixa velocidade e que segue colaborando com as autoridades para o total esclarecimento dos fatos.


FONTE: Com informações de g1
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