A temporada de tornados no Sul do Brasil, especialmente na região Oeste, está apenas começando e deve ganhar força nos próximos meses.
O alerta é do meteorologista Piter Scheuer, que chama atenção para o aumento do risco de tempestades severas entre o fim do inverno e a primavera.
Segundo Scheuer, a atmosfera deve ficar cada vez mais favorável à formação de supercélulas e tornados.
“A temporada de tornados no Sul do Brasil está apenas começando”, afirma o meteorologista.
De acordo com ele, a combinação de sistemas de baixa pressão, frentes frias, complexos convectivos de mesoescala e o transporte de umidade da Amazônia pelo jato de baixos níveis cria condições para tempestades potencialmente severas.
“Teremos uma atmosfera totalmente dinâmica”, destaca Scheuer ao avaliar o cenário para os próximos meses.
O meteorologista aponta ainda que temperaturas elevadas na superfície, associadas a perturbações nos níveis médios da atmosfera, podem contribuir para a formação de supercélulas tornádicas, especialmente no Oeste do Sul do Brasil.
Alerta aumenta nos próximos meses
Scheuer demonstra preocupação principalmente com o período entre setembro e janeiro.
Segundo ele, setembro deve apresentar volumes de chuva acima da média, enquanto outubro, novembro, dezembro e janeiro exigem atenção ainda maior para a ocorrência de eventos extremos.
“Setembro vai ter chuvas bem acima da média”, afirma.
A previsão, segundo o meteorologista, não significa que tornados ocorrerão diariamente ou de forma generalizada. O alerta é para um aumento significativo do risco de episódios severos em determinadas áreas.
“Não é que vai ter tornado todo dia e em todas as regiões. O que aumenta drasticamente é o risco”, explica Scheuer.
Além dos tornados, o cenário pode favorecer granizo, chuvas intensas, vendavais, enchentes, deslizamentos de terra e quedas de barreira.
O meteorologista também chama atenção para a possibilidade de agravamento das cheias no Rio Grande do Sul.
Tornados destrutivos
Scheuer alerta ainda para a possibilidade de ocorrência de tornados de intensidade elevada. Segundo ele, alguns eventos podem atingir categorias destrutivas e entrar para a história da meteorologia brasileira.
“Alguns tornados poderão ser tão destrutivos que vão entrar para a história da meteorologia brasileira”, afirma.
O meteorologista também relaciona o cenário à atuação do El Niño e às condições observadas no Pacífico Equatorial. Em sua avaliação, o fenômeno está contribuindo para uma atmosfera especialmente dinâmica no Sul do Brasil.
“A situação é preocupante. O negócio está feio”, resume Scheuer.
Assista ao vídeo:
Categorias da Escala Fujita
A intensidade dos tornados é classificada pela Escala Fujita Melhorada (EF), de acordo com os danos provocados e os ventos estimados:
EF0 — Fraco: até 135 km/h, com danos leves, como quebra de galhos e destelhamentos parciais.
EF1 — Moderado: de 138 a 177 km/h, podendo arrancar telhados e deslocar veículos.
EF2 — Considerável: de 178 a 217 km/h, com capacidade para destruir telhados e derrubar árvores grandes.
EF3 — Severo: de 218 a 266 km/h, podendo causar danos significativos a construções e arrancar paredes.
EF4 — Devastador: de 267 a 322 km/h, com potencial para destruir casas e lançar veículos.
EF5 — Extremo: acima de 322 km/h, podendo remover construções de suas fundações e provocar danos graves em estruturas.
A orientação é que a população acompanhe os alertas meteorológicos e as atualizações dos órgãos oficiais durante períodos de instabilidade, principalmente no Oeste da Região Sul.