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Foto: Olga Pankova/Getty Images

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um alerta sobre a próxima temporada de gripe, prevista para o fim de 2025 e o início de 2026, diante do aumento da circulação do vírus influenza em diversas regiões do mundo. O crescimento dos casos tem sido associado, principalmente, a uma variante do influenza A (H3N2), que passou a se espalhar com mais intensidade a partir de agosto deste ano.

Segundo a OMS, a variante em destaque pertence ao subclado genético conhecido como “K”, também identificado como J.2.4.1, uma nova ramificação do vírus da gripe sazonal. Apesar da disseminação em diferentes países, as autoridades de saúde informam que, até o momento, não há indícios de que essa variante esteja associada a quadros mais graves da doença.

O cenário, no entanto, gera preocupação por coincidir com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, período tradicionalmente marcado pelo aumento de infecções respiratórias. Esse contexto pode resultar em maior pressão sobre os sistemas de saúde, especialmente em locais com baixa cobertura vacinal.

O termo “gripe K” passou a circular com frequência nas redes sociais e em manchetes, mas a OMS reforça que não se trata de um novo vírus. De acordo com o órgão, o que está sendo observado é a evolução natural do influenza A, conhecido por sofrer mutações constantes ao longo do tempo.

Grupos mais vulneráveis

A OMS destaca que, na maioria dos casos, a gripe evolui de forma leve, com recuperação em cerca de uma semana. No entanto, a infecção pode causar complicações graves em grupos específicos. Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os mais vulneráveis. Profissionais de saúde também integram o grupo de risco, tanto pela maior exposição quanto pelo potencial de transmissão a pacientes fragilizados.

A infectologista Rosana Richtmann explica que os idosos são o grupo prioritário, especialmente aqueles acima de 60 ou 65 anoscom risco ainda maior entre pessoas com mais de 80 anos. “Nessa faixa etária, aumentam significativamente as chances de hospitalização, insuficiência respiratória e até óbito”, alerta.

As gestantes também demandam atenção especial, pois podem desenvolver quadros mais graves e apresentar complicações como parto prematuro ou abortamento. Já as crianças, segundo a especialista, sempre preocupam diante do surgimento de novas variantes de vírus respiratórios.

Em orientações clínicas, a OMS ressalta que o uso de antivirais pode ser especialmente benéfico para pacientes com maior risco de evolução grave, como idosos e pessoas com comorbidades, além de listar critérios que indicam maior vulnerabilidade.

Recomendações da OMS

A OMS informou que não recomenda, neste momento, restrições de viagem ou de comércio entre países afetados. O foco das orientações está em duas frentes principais: o fortalecimento da vigilância epidemiológica, com monitoramento contínuo dos vírus em circulação e ampliação da capacidade laboratorial, e a adoção de medidas de proteção individual e coletiva.

Entre as principais recomendações estão a vacinação anual contra a gripe para grupos de risco e profissionais de saúde, além de cuidados básicos para reduzir a transmissão, como higiene frequente das mãos, etiqueta respiratória e evitar contato próximo quando houver sintomas. Em ambientes sensíveis, o uso de máscara também pode ser considerado.

A infectologista chama atenção para a baixa adesão à vacinação no Brasil em 2025, especialmente entre idosos. “Foi uma das piores coberturas vacinais que já tivemos. Por isso, é essencial manter a vigilância e garantir que, assim que a vacina atualizada para 2026 estiver disponível, o público-alvo procure a imunização”, reforça.