Aos 19 anos, o jovem Alison Carvalho Saldívia, morador de Balneário Gaivota, vive a expectativa de um tratamento inédito em Santa Catarina que pode representar uma nova chance de recuperação. Ele será o primeiro paciente do Estado a receber a aplicação de polilaminina, uma terapia ainda em fase experimental voltada ao tratamento de lesões na medula espinhal.
Alison sofreu um trauma raquimedular no dia 11 de janeiro deste ano, após mergulhar em águas rasas na praia. O acidente causou uma lesão na região cervical da coluna, na altura da vértebra C5. Desde então, ele enfrenta uma rotina intensa de cuidados e reabilitação em casa.
Atualmente, o jovem não apresenta movimentos nos membros superiores e inferiores. A possibilidade de receber a polilaminina surgiu como uma alternativa terapêutica diante da gravidade do quadro. A medicação, embora ainda esteja em estudo, já apresentou resultados positivos em alguns casos acompanhados por pesquisadores.
O tratamento foi viabilizado após a equipe médica que acompanha Alison buscar contato com profissionais envolvidos na pesquisa clínica da substância. O caso foi enquadrado na modalidade de uso compassivo, que permite a aplicação de terapias experimentais em situações específicas, quando há possibilidade de benefício ao paciente.
Para que o procedimento fosse autorizado, foram necessários trâmites legais e a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a liberação concedida, a aplicação está marcada para o dia 5 de março, no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio.
O procedimento deve durar cerca de 30 minutos e será realizado em bloco cirúrgico, com a aplicação da proteína diretamente na medula. A equipe médica que acompanha o caso destaca que, apesar de se tratar de uma terapia em estudo, o risco é considerado baixo.
A expectativa é que, caso Alison recupere ao menos parte dos movimentos, o avanço já seja considerado extremamente significativo. Especialistas apontam que pesquisas como essa podem abrir novos caminhos no tratamento de pacientes com tetraplegia e outras lesões medulares, áreas em que os prognósticos costumam ser limitados.









