Quem pretende doar sangue terá de observar novos critérios a partir de 30 de setembro de 2026. As mudanças foram definidas pelo Ministério da Saúde e alteram prazos de impedimento temporário em situações comuns, como tatuagem, piercing, procedimentos estéticos, endoscopias e algumas cirurgias.
Até lá, hemocentros e serviços de coleta passam por um período de adaptação.
Na prática, algumas pessoas poderão voltar a doar em menos tempo do que hoje. Em outros casos, os prazos continuam mais longos porque dependem do tipo de procedimento, do risco envolvido e das condições em que ele foi realizado.
Tatuagem e piercing terão prazo menor em alguns casos
Uma das mudanças mais perceptíveis envolve tatuagens, piercings, maquiagem definitiva e outros procedimentos que perfuram ou lesionam a pele.
Quando houver comprovação de que o procedimento foi feito em local adequado e com condições sanitárias seguras, o período de espera poderá cair para sete dias.
Se não for possível comprovar essas condições, o doador terá de aguardar quatro meses.
Piercings colocados na boca ou na região genital continuam recebendo atenção especial. Enquanto o acessório permanecer no local, a pessoa não poderá doar. Depois da retirada, o prazo será de quatro meses.
Procedimentos estéticos como aplicação de botox, preenchimentos e microagulhamento também entram nas regras de avaliação.
Endoscopia exigirá quatro meses
Quem passar por procedimento endoscópico deverá esperar quatro meses antes de doar sangue.
A regra vale para exames invasivos em que instrumentos são introduzidos no organismo e busca reduzir riscos relacionados à transmissão de infecções.
O prazo começa a contar a partir da data do exame ou procedimento.
Cirurgias terão prazos diferentes
Não haverá uma única regra para todas as cirurgias.
Quem fizer cirurgia bariátrica, por exemplo, deverá aguardar seis meses.
Procedimentos como retirada do apêndice, correção de hérnia e cirurgia das amígdalas terão prazo de três meses. Já histerectomia, algumas cirurgias ortopédicas e determinados procedimentos plásticos exigirão seis meses.
Operações de maior porte poderão resultar em períodos ainda mais longos de impedimento.
Por isso, quem passou recentemente por uma cirurgia deve informar exatamente qual procedimento realizou no momento da triagem.
Novo parceiro sexual também entra na avaliação
Os hemocentros continuarão perguntando sobre situações que possam aumentar o risco de infecções transmissíveis pelo sangue.
Pelas novas regras, o início de relação sexual com um novo parceiro pode levar a um impedimento temporário de quatro meses, contado a partir do primeiro contato.
O mesmo prazo pode ser aplicado em outras situações consideradas de maior exposição.
A avaliação é individual. Não depende apenas de uma resposta isolada, mas do conjunto de informações prestadas durante a entrevista.
Uso de PrEP e PEP será considerado
Pessoas que utilizam medicamentos para prevenção do HIV também precisam informar essa condição.
Tanto a PrEP, usada antes de uma possível exposição, quanto a PEP, indicada após uma situação de risco, podem interferir no prazo para doação.
O tempo de espera varia conforme o medicamento e a forma de uso.
No caso de algumas versões injetáveis da PrEP, o impedimento pode chegar a dois anos após a última aplicação.
A preocupação é evitar interferências na chamada janela diagnóstica, período em que uma infecção pode ainda não aparecer nos testes laboratoriais.
Requisitos básicos continuam os mesmos
As mudanças não alteram algumas exigências já conhecidas de quem procura um hemocentro.
O candidato precisa estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos e apresentar documento oficial com foto.
Também deve estar alimentado e ter dormido ao menos seis horas nas 24 horas anteriores.
A faixa etária permanece entre 16 e 69 anos. Quem tem entre 60 e 69 anos precisa ter feito a primeira doação antes dos 60. Menores de idade devem cumprir as regras de autorização exigidas pelos serviços de coleta.
Cumprir o prazo não garante a doação
Esse é um ponto importante.
Mesmo depois de esperar o período previsto para uma tatuagem, cirurgia, endoscopia ou outro procedimento, a pessoa ainda passará pela triagem.
O profissional responsável poderá perguntar sobre doenças recentes, medicamentos, viagens, internações, cirurgias, comportamento sexual e outras situações relevantes para a segurança da transfusão.
Dependendo das respostas, a doação poderá ser adiada novamente.
A entrevista existe para proteger tanto quem doa quanto quem receberá o sangue.
Por que as regras estão mudando?
A revisão atualiza o regulamento nacional usado pelos serviços de hemoterapia.
O texto estabelece critérios para diversas etapas, desde a seleção do candidato até a coleta, o processamento, o armazenamento e a transfusão dos componentes sanguíneos.
Parte das mudanças acompanha avanços nos testes laboratoriais e na avaliação de risco, o que permitiu rever alguns prazos antigos.
Ao mesmo tempo, situações consideradas mais sensíveis continuam sujeitas a períodos maiores de espera.
Quem tem dúvida deve procurar o hemocentro antes
Quem fez tatuagem, colocou piercing, passou por cirurgia, realizou endoscopia ou começou recentemente algum tratamento pode consultar o hemocentro antes de sair de casa.
Isso evita deslocamentos desnecessários e ajuda o candidato a saber se já está apto para doar.
Até 30 de setembro, os serviços continuam se preparando para aplicar integralmente os novos critérios.
Depois dessa data, as regras passam a valer em todo o país.













