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Segurança

Após sócio atirar contra carro de árbitros, empresário da Floriva repudia ataque e relata ameaças

Talise Freitas | - Atualizado 2 semanas atrás

Reprodução

O empresário Fernando Machado, sócio-proprietário da tradicional Floricultura Floriva, de Criciúma, se pronunciou em vídeo sobre o episódio envolvendo um dos sócios da empresa na última sexta-feira.

Na ocasião, o homem atirou contra o veículo em que estavam três árbitros depois de ser expulso do ginásio onde ocorria uma partida de futsal sub-10, no bairro Michel.

Segundo Machado, o objetivo do pronunciamento foi esclarecer a autoria, dissociar o nome da empresa do episódio e repudiar a atitude do sócio envolvido. Ele também informou que, após o caso, chegaram a ocorrer ameaças.

“Como proprietário eu haveria de me posicionar. Esperei primeiro a justiça fazer o que tinha que ser feito para, agora, colocar meu nome à disposição. Eu não tenho envolvimento nenhum com o ocorrido, nem funcionários. A Floriva tem 40 anos de história. Infelizmente um dos sócios da empresa acabou se envolvendo e a gente reprova totalmente o ocorrido. Conversei com os envolvidos, prestei minha solidariedade a todos. Infelizmente, de forma individual, uma pessoa da empresa acabou se envolvendo e a gente quer que tudo seja resolvido na justiça da melhor maneira possível”, disse.

Assista ao vídeo:

A ocorrência 

Conforme informações apuradas, a confusão teria começado ainda durante a partida, quando um dos árbitros pediu que uma jogadora retirasse um brinco.

O homem, de 41 anos, teria se revoltado com a orientação, causado tumulto dentro do ginásio e, posteriormente, sido expulso do local.

Depois da partida, a situação ganhou contornos ainda mais graves. Conforme as informações da ocorrência, o homem utilizou um veículo para encurralar o carro onde estavam os três árbitros e, na sequência, efetuou os disparos de arma de fogo contra o automóvel.

Apesar do ataque, ninguém ficou ferido.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 22h30 e iniciou diligências. O veículo utilizado pelo suspeito foi localizado e abordado. 

Durante averiguação, a PM localizou um revólver calibre .38 com cinco munições no tambor, além de outras 38 munições do mesmo calibre e um coldre. Ao todo, foram apreendidas 43 munições.

O homem, de 41 anos, recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil juntamente com a arma e as munições apreendidas.

“Quando a violência tenta calar o apito”

Após o episódio, o Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Santa Catarina (SINAFeSC) divulgou uma nota de repúdio e pediu rigor na apuração.

“Quando a violência tenta calar o apito, todo o esporte perde”, afirmou a entidade.

O sindicato classificou como inadmissível que profissionais saiam para trabalhar e retornem temendo pela própria vida e destacou que nenhuma discordância com decisões da arbitragem justifica ameaças, intimidações ou violência.

O SINAFeSC também cobrou a responsabilização dos envolvidos e a adoção de protocolos de segurança para as equipes de arbitragem antes, durante e principalmente após as partidas.

Liga destaca que partida era da categoria Sub-10

A Liga Urussanguense de Desportos (LUD) também se manifestou e ressaltou que os árbitros haviam acabado de trabalhar em uma partida de futsal de base da categoria Sub-10.

“Árbitro não é inimigo. Árbitro é profissional do esporte”, destacou a entidade.

A Liga afirmou que divergências relacionadas à arbitragem devem ser tratadas pelos meios previstos nos regulamentos e na legislação, jamais por meio de ameaças, intimidações ou violência.

A entidade ainda manifestou solidariedade aos três árbitros, familiares e demais profissionais da arbitragem e defendeu que o episódio seja devidamente apurado pelas autoridades.

“Que exemplo estamos dando?”

A Associação Criciumense de Futsal (ACF) também divulgou uma manifestação sobre o episódio e chamou atenção especialmente para o fato de a violência ter ocorrido no contexto de uma competição de base.

“Estamos falando de categorias de base. De crianças que deveriam aprender, através do esporte, sobre respeito, disciplina, convivência, frustração, responsabilidade e, principalmente, sobre como lidar com a vitória e a derrota”, destacou.

A entidade questionou o exemplo dado quando um adulto transforma uma decisão de arbitragem em motivo para violência e ressaltou que árbitros, treinadores e atletas podem errar e que pais podem discordar, mas que nenhum erro justifica violência.

“O ginásio precisa ser um lugar seguro. O esporte precisa ser instrumento de educação, não um território onde a intolerância, o ódio e a violência sejam normalizados”, afirmou.

Ao final, a ACF deixou uma reflexão sobre a formação das crianças no esporte: “O resultado de um jogo termina no placar. A formação de uma criança não”.

A entidade também se solidarizou com os árbitros envolvidos e afirmou esperar que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.

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