A morte de uma jovem de 24 anos, inicialmente tratada como um possível acidente de trânsito, passou a ser investigada como feminicídio após a Polícia Civil descobrir que o caso foi forjado para ocultar o crime. O ex-companheiro da vítima e o pai dele foram presos e confessaram participação no assassinato.
A vítima, Débora Ester de Biazi Dambros, foi encontrada morta na tarde de 21 de julho, às margens do Rio Barra Grande, em São Carlos, no Oeste de Santa Catarina. O carro em que ela estava foi localizado submerso no rio, o que levou à suspeita inicial de um acidente.
No entanto, a investigação tomou outro rumo após o laudo pericial apontar que a causa da morte era incompatível com um sinistro de trânsito.
Segundo a Polícia Civil, Débora foi assassinada por asfixia dentro da residência onde estava com o ex-companheiro, na cidade de Xaxim. Conforme as investigações, ele utilizou um golpe conhecido como “mata-leão” para matar a jovem.
A motivação do crime, de acordo com a polícia, foi a inconformidade do suspeito com o fim do relacionamento e com o fato de a vítima estar vivendo um novo relacionamento. Os dois filhos do casal, de 8 e 2 anos, estavam na casa no momento do assassinato.
Após o crime, o ex-companheiro contou com a ajuda do próprio pai para tentar esconder o feminicídio. Os dois colocaram o corpo da vítima dentro do carro e seguiram até uma ponte, em São Carlos, onde lançaram o veículo no Rio Barra Grande para simular um acidente.
Ainda conforme a investigação, antes mesmo de o corpo ser encontrado, o suspeito procurou uma delegacia e registrou um boletim de ocorrência informando o suposto desaparecimento de Débora. Aos policiais, ele afirmou que a ex-companheira havia saído de casa alterada e sugeriu que ela poderia ter sofrido um acidente ou até cometido suicídio.
As investigações também apontaram que, após matar a vítima, o homem utilizou o celular dela para enviar mensagens ao atual companheiro de Débora, fingindo que ela ainda estava viva. Nas conversas, dizia que estava a caminho, mas enfrentava problemas mecânicos no carro e pouca carga na bateria do telefone, numa tentativa de sustentar a versão criada pelos suspeitos.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para analisar os materiais apreendidos e aguarda a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos para concluir o inquérito.