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Segurança

“Espero não ser um adeus”: carta encontrada com ex revela medo de jovem mantida em cativeiro

Daiâna Farias | - Atualizado 3 semanas atrás

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Uma folha de papel encontrada no bolso do ex-companheiro de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, passou a chamar atenção dentro da investigação do caso ocorrido em Águas Lindas de Goiás.

Na mensagem destinada à família, a jovem fala sobre bens, dinheiro e chega a escrever: “Espero não ser um adeus”.

O papel estava com o homem preso após Emiliane ser encontrada amordaçada e acorrentada dentro de uma casa. A polícia trabalha com a suspeita de que ela tenha sido obrigada a escrever ou assinar a carta durante o período em que permaneceu no local.

O documento também traz um pedido para que os familiares não procurassem a polícia.

Emiliane estava desaparecida desde 17 de agosto. O resgate aconteceu na sexta-feira (21), cinco dias depois.

Polícia encontrou jovem presa dentro de casa

VÍDEO: (IMAGENS FORTES)

O endereço foi descoberto após uma tentativa de abordagem ao ex-companheiro.

Segundo a polícia, ele desobedeceu à ordem de parada e fugiu. As diligências levaram os agentes até uma casa alugada dias antes.

Do lado de fora, os policiais ouviram barulhos vindos do imóvel. Quando entraram, encontraram Emiliane presa com cordas, algemas e corrente, além de estar amordaçada.

Ela precisou ser levada ao hospital.

O ex-companheiro foi preso e teve a prisão mantida pela Justiça.

Jovem relata agressões anteriores

Depois de deixar o hospital, Emiliane contou que o relacionamento havia terminado em dezembro de 2025 e relatou episódios de violência anteriores ao desaparecimento.

Entre as acusações feitas por ela estão ameaças, perseguições e uma suposta tentativa de provocar um acidente ao mexer nas rodas de seu carro.

A jovem afirma ainda que registrou diversos boletins de ocorrência ao longo dos últimos meses.

Em outro relato, disse ter sofrido agressões enquanto esteve presa e afirmou que uma substância corrosiva teria sido colocada em sua boca.

Esses episódios fazem parte das informações reunidas pelas autoridades e ainda são analisados no inquérito.

Pedido de medida protetiva havia sido feito

O histórico do relacionamento também colocou em discussão um pedido de medida protetiva feito anteriormente.

O Ministério Público de Goiás informou que houve uma solicitação neste ano relacionada a acontecimentos registrados entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Segundo o órgão, naquele momento não havia elementos considerados suficientes para sustentar a concessão da medida.

A informação voltou a ganhar repercussão após o resgate da jovem.

Emiliane se manifestou depois de receber alta e afirmou que pretende buscar a responsabilização pelo que sofreu.

“Agora é o início de tudo. O início para que a gente possa buscar justiça pelo que aconteceu comigo”, declarou.

Ela também pediu apoio para que outras mulheres não passem por situações semelhantes.

Defesa contesta conclusões antecipadas

A defesa do ex-companheiro afirma que o inquérito ainda não terminou e sustenta que parte das informações divulgadas precisa ser confrontada com as provas reunidas oficialmente.

Os advogados dizem que não afastam a gravidade do episódio, mas consideram precipitado atribuir ao investigado todas as condutas noticiadas antes da conclusão das investigações.

A Polícia Civil segue reunindo depoimentos, documentos e outros elementos para esclarecer como Emiliane foi levada até o imóvel e o que aconteceu durante os cinco dias em que permaneceu desaparecida.


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