Ainda vivendo um luto recente, a mãe e a irmã da jovem Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, pediram justiça e que o caso não caia no esquecimento.
O corpo de Joviana foi encontrado na segunda-feira, enrolado em cobertores sob a cama do quarto do namorado, em Sangão.
José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, confessou ter matado a vítima com um golpe de mata-leão durante uma discussão entre quinta e sexta-feira, permanecendo com o corpo por quase quatro dias.

Ele já teve a prisão convertida em preventiva e segue recluso no Presídio Masculino de Tubarão pelo crime de feminicídio, que prevê até 40 anos de prisão.
Sonho interrompido
“Esse momento está sendo muito difícil para nossa família e para os amigos próximos, mas a gente não pode se calar diante dessa situação. Queremos que a justiça seja feita pelo crime que cometeram contra a Joviana, que era uma garota jovem, cheia de sonhos e que apenas tinha começado um novo ciclo na vida dela. Ela teve a primeira semana de aula na faculdade, que era o sonho dela, interrompida por um garoto sem coração. Neste momento, a gente pede oração e repercussão para que o caso não seja apenas mais um de feminicídio no Brasil. Ela foi sepultada nesta quarta-feira. Com certeza, está em paz, e agora o que resta é procurar justiça por ela na Terra”, desabafou Livia, irmã de Joviana.
“Não tem dor maior”
“Não tem dor maior do que a que estou sentindo. Quero justiça, que ele pague caro pelo que fez e que todos os envolvidos sejam investigados e punidos. Que a mídia continue publicando para que não caia no esquecimento”, pediu a mãe, Viviane.
Investigação
Segundo o delegado Murilo Silveira da Cunha, responsável pela investigação, José Gustavo não tinha passagens policiais nem histórico de violência doméstica, mas mantinha com a vítima um relacionamento considerado bastante conturbado.
Conforme relatado à polícia por ele, a discussão teria começado depois que a jovem descobriu mensagens trocadas com outras mulheres, especialmente durante um período recente em que os dois estavam separados.
Durante a discussão, Joviana teria tentado deixar a residência, mas José Gustavo a seguiu e aplicou o golpe de mata-leão que provocou sua morte.
Depois, segundo a investigação, ele colocou o corpo sobre a cama e permaneceu na residência.
O que aconteceu depois do crime
Conforme o delegado, o investigado relatou que consumiu uma grande quantidade de medicamentos controlados após a morte da jovem, o que, segundo sua versão, teria provocado um estado de entorpecimento durante toda a sexta-feira. Nos dias seguintes, também teria consumido bebidas alcoólicas.
“Ele relatou que consumiu bastante medicamento controlado, o que teria deixado entorpecido durante toda a sexta-feira. Sobre os dias seguintes, não soube com precisão o que aconteceu, e que teria consumido bastante bebida alcoólica”, relatou Murilo.
Ainda segundo o delegado, José Gustavo informou que deixou o quarto trancado e somente comunicou os familiares na manhã de segunda-feira.
A mãe de Joviana, preocupada com a ausência da filha e com a forma considerada estranha de responder às mensagens, acionou a polícia na segunda-feira. O corpo da jovem foi localizado durante as diligências.
Após a descoberta, o suspeito tentou fugir, mas acabou se entregando à polícia.
Joviana Evelyn, presente
Acadêmicos da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) participaram de uma mobilização em memória de Joviana Evelyn na noite de segunda-feira.

O ato foi organizado pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) e teve como objetivo prestar homenagem à jovem e promover uma reflexão sobre a violência contra a mulher.
A mobilização ocorreu dentro da universidade e contou com cartazes e mensagens de conscientização.

O caso aconteceu durante o Agosto Lilás, mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher, tornando o momento ainda mais simbólico para os acadêmicos que participaram da homenagem.
Em nota, o DCE afirmou que a morte da estudante não pode ser tratada apenas como mais um caso de violência.





“A morte de Evelyn não pode se tratada como mais um caso de violência. Feminicídio é resultado de uma sociedade que ainda permite que mulheres sejam vítimas de violência, controle e morte simplesmente por serem mulheres. Precisamos falar, denunciar e, sobretudo, agir. Joviana Evelyn Lankovski, sua vida importa. Sua história não será reduzida ao silêncio”.

A Unesc também publicou uma nota de pesar pela morte da acadêmica.








