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Segurança

“O verdadeiro herói”: SAER detalha atitude de pai que enfrentou chuva e mata para salvar filho ferido

Talise Freitas | - Atualizado 1 mês atrás

Divulgação/SAER SAMU Aeromédico

O SAER/SAMU Aeromédico divulgou novos detalhes do resgate de um jovem de 19 anos que ficou ferido após ser atingido por uma motosserra em Rio Fortuna.

No relato sobre a ocorrência, a equipe destacou de forma especial a atuação do pai da vítima, que improvisou um torniquete, sinalizou a localização em meio à mata e chegou a usar novamente a motosserra para abrir uma clareira que permitiu o resgate do próprio filho.

O acidente aconteceu na tarde desta terça-feira (11), por volta das 12h, na localidade de Rio Azedo, no bairro Boa Vista.

Pai e filho trabalhavam na extração e derrubada de eucaliptos quando o jovem foi atingido durante o corte de uma árvore. A motosserra também atingiu o membro inferior esquerdo da vítima, na altura do joelho, provocando um ferimento profundo e uma hemorragia importante.

Segundo o SAER/SAMU Aeromédico, diante da gravidade do sangramento e do isolamento do local, o pai improvisou um torniquete utilizando uma camiseta de lycra, na tentativa de conter a hemorragia.

Uma terceira pessoa que passava pelas proximidades ouviu os pedidos de socorro e conseguiu acionar o Corpo de Bombeiros, dando início à mobilização das equipes.

Resgate em área de difícil acesso

A equipe do SAER/SAMU Aeromédico foi acionada pela Central de Regulação do SAMU, em apoio ao COBOM.

Conforme o relato dos socorristas, a equipe chegou à região ainda com poucas informações sobre a localização exata da vítima e as circunstâncias do acidente.

Durante o primeiro sobrevoo, foi constatado que o terreno era extremamente íngreme e cercado por mata, impossibilitando o pouso da aeronave. Inicialmente, a vítima também não pôde ser localizada visualmente.

Enquanto a aeronave era preparada com equipamentos específicos para o resgate em local de difícil acesso, incluindo materiais de rapel e maca de resgate vertical, o pai continuou auxiliando na localização.

Mesmo sob chuva, ele conseguiu acender uma fogueira em meio à mata para produzir fumaça e sinalizar onde estava com o filho. Com o retorno da aeronave equipada para a operação, a equipe conseguiu identificar a posição exata da vítima.

Diante da impossibilidade de pouso, um operador aerotático desceu de rapel até o local e, sob orientação médica, realizou a aplicação de um torniquete para controlar a hemorragia.

Foi então identificada a necessidade de abrir uma área que permitisse a aproximação segura da aeronave para a retirada do jovem.

Pai voltou a usar a motosserra para abrir clareira

Segundo o SAER/SAMU Aeromédico, sem medir esforços, o pai pegou novamente a motosserra e passou a derrubar as árvores necessárias para abrir, em plena mata, o espaço que posteriormente seria utilizado para o embarque do próprio filho.

Com a clareira aberta, a aeronave deslocou-se até uma área segura, embarcou a equipe médica e retornou ao ponto da ocorrência. A aproximação e o desembarque foram realizados por meio da técnica de pairado, na qual o helicóptero permanece a baixa altura, sem tocar o solo, permitindo o desembarque dos profissionais.

Ao acessar a vítima, a equipe constatou importante perda sanguínea, com sinais compatíveis com choque hemorrágico grau II, além de sangramento ainda ativo no membro inferior esquerdo.

Foi aplicado um novo torniquete e realizado curativo compressivo, conseguindo controlar a hemorragia. O paciente foi estabilizado, medicado e preparado para a retirada.

Jovem foi retirado de barranco com 60 graus de inclinação

O resgate ocorreu em um barranco extremamente íngreme, com aproximadamente 60 graus de inclinação, em meio à mata e com grande dificuldade de movimentação.

A aeronave retornou à área segura e transportou bombeiros até as proximidades, também com desembarque por meio da técnica de pairado, para reforçar a operação de retirada.

Com o esforço conjunto das equipes, a vítima foi acondicionada em uma maca de resgate vertical e retirada pela ribanceira até a clareira aberta pelo próprio pai. No local, foi embarcada no helicóptero por meio de uma nova operação em pairado.

O jovem foi imediatamente transportado para Criciúma e, posteriormente, conduzido pela USA-3 do SAMU, da base do SAER até o Hospital São José, referência regional em atendimento ao trauma, para continuidade do tratamento.

A ocorrência contou com o apoio do Corpo de Bombeiros de Braço do Norte e da USA-3 do SAMU.

“O amor e a coragem de um pai”

Ao divulgar os detalhes da ocorrência, o SAER/SAMU Aeromédico fez questão de destacar a atuação do pai durante as aproximadamente cinco horas e meia de resgate.

Segundo a equipe, ele permaneceu ao lado do filho durante uma ocorrência extremamente complexa, em uma região isolada, de difícil acesso e sob condições climáticas adversas, fazendo tudo o que estava ao seu alcance para mantê-lo vivo e auxiliar as equipes.

“Foi ele quem, diante de uma hemorragia importante, improvisou o primeiro torniquete utilizando a própria camiseta de lycra. Foi ele quem, mesmo com a chuva, conseguiu fazer uma fogueira para que a fumaça sinalizasse às equipes aéreas onde estavam. E foi ele quem, após a chegada do operador aerotático e diante da necessidade de uma clareira para a retirada da vítima, pegou novamente a motosserra e, sem medir esforços, derrubou as árvores necessárias para criar o espaço onde, horas depois, seu próprio filho seria embarcado no helicóptero”, destacou o SAER.

Ainda conforme o relato da equipe, o pai permaneceu ao lado do jovem durante todo o resgate e auxiliou os profissionais em tudo o que estava ao seu alcance.

Foram cerca de cinco horas e meia de esforço físico e emocional. Somente após ver o filho embarcado na aeronave, o pai chegou ao limite físico e desabou no local, acometido por fortes cãibras decorrentes de todo o esforço realizado.

Para as equipes que participaram da ocorrência, “o verdadeiro herói desse atendimento foi o pai da vítima”.

O SAER destacou que a iniciativa do homem nos primeiros minutos, a coragem e a determinação foram fundamentais para o resgate.

“Sem suas ações, especialmente no controle inicial da hemorragia e na sinalização e preparação do local para acesso das equipes, o desfecho poderia ter sido muito mais grave”, informou a equipe.

Ao final do relato, o SAER/SAMU Aeromédico registrou ainda a gratidão e a admiração pelo pai, que permaneceu ao lado do filho até o último momento e encontrou forças mesmo quando elas pareciam já não existir.

“Um exemplo da dimensão do amor de um pai por seu filho”, concluiu a equipe.

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