O delegado Murilo Silveira da Cunha, responsável pela investigação do feminicídio de Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, em Sangão, revelou novas informações sobre José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, namorado da jovem e autor confesso do crime.
Reprodução/DCE Unesc/Unesc
Segundo o delegado, ele não tinha passagens policiais nem histórico de violência doméstica, mas mantinha com a vítima um relacionamento considerado bastante conturbado.
José Gustavo passou por audiência de custódia na tarde desta terça-feira (11) e teve a prisão em flagrante por feminicídio convertida em prisão preventiva. Com a decisão, ele permanece preso no Presídio de Tubarão enquanto o processo segue na Justiça.
A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada pela Justiça quando estão presentes os requisitos legais para manter o investigado preso durante a investigação ou o processo, como forma de garantir a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal. Ela não representa uma condenação antecipada.
Quem é José Gustavo
Segundo o delegado, apesar de não possuir registros anteriores de passagens policiais ou histórico de violência doméstica, José Gustavo vivia com Joviana um relacionamento marcado por conflitos.
Na virada de quinta para sexta-feira, uma discussão teria começado depois que a jovem descobriu mensagens trocadas pelo namorado com outras mulheres, especialmente durante um período recente em que os dois estavam separados.
Durante a discussão, Joviana teria tentado deixar a residência, mas José Gustavo a seguiu e aplicou o golpe de mata-leão que provocou sua morte.
Depois, segundo a investigação, ele colocou o corpo sobre a cama e permaneceu na residência.
O que aconteceu depois do crime
Conforme o delegado, o investigado relatou que consumiu uma grande quantidade de medicamentos controlados após a morte da jovem, o que, segundo sua versão, teria provocado um estado de entorpecimento durante toda a sexta-feira. Nos dias seguintes, também teria consumido bebidas alcoólicas.
“Ele relatou que consumiu bastante medicamento controlado, o que teria deixado entorpecido durante toda a sexta-feira. Sobre os dias seguintes, não soube com precisão o que aconteceu, e que teria consumido bastante bebida alcoólica”, relatou Murilo.
Ainda segundo o delegado, José Gustavo informou que deixou o quarto trancado e somente comunicou os familiares na manhã de segunda-feira.
A mãe de Joviana, preocupada com a ausência da filha e com a forma considerada estranha de responder às mensagens, acionou a polícia na segunda-feira. O corpo da jovem foi localizado durante as diligências.
Após a descoberta, o suspeito tentou fugir, mas acabou se entregando à polícia.
Quanto ele pode pegar de prisão?
Desde a entrada em vigor da Lei nº 14.994/2024, o feminicídio passou a ser crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos de reclusão.
A legislação também prevê aumento de um terço até a metade em determinadas situações, como quando o crime é praticado durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto, contra vítima menor de 14 ou maior de 60 anos, na presença física ou virtual de descendente ou ascendente da vítima, em descumprimento de medida protetiva, entre outras hipóteses previstas em lei.
No caso de Joviana, uma eventual pena será definida pela Justiça ao final do processo, caso José Gustavo seja condenado, considerando as circunstâncias reconhecidas no julgamento.
Corpo de Joviana é sepultado nesta quarta
O corpo de Joviana Evelyn Iankovski foi velado na unidade do Plano Assistencial São Cristóvão (Pasc), no bairro Industrial, em Pato Branco, no Paraná, cidade onde a jovem nasceu.
Foto: Reprodução/Redes Sociais
O sepultamento ocorreu na manhã desta quarta-feira (12), no Cemitério da Comunidade de São Caetano, também em Pato Branco.