Um ataque a tiros contra três árbitros após uma partida de futsal de base em Criciúma provocou manifestações de repúdio de entidades ligadas ao esporte e à arbitragem.
O caso ocorreu na noite desta sexta-feira (28), após um jogo da categoria Sub-10.
O momento do ataque foi registrado em vídeo.
Conforme informações apuradas, a confusão teria começado ainda durante a partida, quando um dos árbitros pediu que uma jogadora retirasse um brinco.
O homem, de 41 anos, teria se revoltado com a orientação, causado tumulto dentro do ginásio e, posteriormente, sido expulso do local.
Depois da partida, a situação ganhou contornos ainda mais graves. Conforme as informações da ocorrência, o homem utilizou um veículo para encurralar o carro onde estavam os três árbitros e, na sequência, efetuou os disparos de arma de fogo contra o automóvel.
Apesar do ataque, ninguém ficou ferido.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 22h30 e iniciou diligências. O veículo utilizado pelo suspeito foi localizado e abordado.
Durante averiguação, a PM localizou um revólver calibre .38 com cinco munições no tambor, além de outras 38 munições do mesmo calibre e um coldre. Ao todo, foram apreendidas 43 munições.
O homem, de 41 anos, recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil juntamente com a arma e as munições apreendidas.
“Quando a violência tenta calar o apito”
Após o episódio, o Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de Santa Catarina (SINAFeSC) divulgou uma nota de repúdio e pediu rigor na apuração.
“Quando a violência tenta calar o apito, todo o esporte perde”, afirmou a entidade.
O sindicato classificou como inadmissível que profissionais saiam para trabalhar e retornem temendo pela própria vida e destacou que nenhuma discordância com decisões da arbitragem justifica ameaças, intimidações ou violência.
O SINAFeSC também cobrou a responsabilização dos envolvidos e a adoção de protocolos de segurança para as equipes de arbitragem antes, durante e principalmente após as partidas.
Liga destaca que partida era da categoria Sub-10
A Liga Urussanguense de Desportos (LUD) também se manifestou e ressaltou que os árbitros haviam acabado de trabalhar em uma partida de futsal de base da categoria Sub-10.
“Árbitro não é inimigo. Árbitro é profissional do esporte”, destacou a entidade.
A Liga afirmou que divergências relacionadas à arbitragem devem ser tratadas pelos meios previstos nos regulamentos e na legislação, jamais por meio de ameaças, intimidações ou violência.
A entidade ainda manifestou solidariedade aos três árbitros, familiares e demais profissionais da arbitragem e defendeu que o episódio seja devidamente apurado pelas autoridades.
“Que exemplo estamos dando?”
A Associação Criciumense de Futsal (ACF) também divulgou uma manifestação sobre o episódio e chamou atenção especialmente para o fato de a violência ter ocorrido no contexto de uma competição de base.
“Estamos falando de categorias de base. De crianças que deveriam aprender, através do esporte, sobre respeito, disciplina, convivência, frustração, responsabilidade e, principalmente, sobre como lidar com a vitória e a derrota”, destacou.
A entidade questionou o exemplo dado quando um adulto transforma uma decisão de arbitragem em motivo para violência e ressaltou que árbitros, treinadores e atletas podem errar e que pais podem discordar, mas que nenhum erro justifica violência.
“O ginásio precisa ser um lugar seguro. O esporte precisa ser instrumento de educação, não um território onde a intolerância, o ódio e a violência sejam normalizados”, afirmou.
Ao final, a ACF deixou uma reflexão sobre a formação das crianças no esporte: “O resultado de um jogo termina no placar. A formação de uma criança não”.
A entidade também se solidarizou com os árbitros envolvidos e afirmou esperar que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.
Confira as notas na íntegra
SINAFeSC – Nota de Repúdio
Quando a violência tenta calar o apito, todo o esporte perde.
O SINAFESC manifesta seu mais veemente repúdio ao grave episódio ocorrido em Criciúma, após uma partida de futsal, no qual o veículo ocupado por três árbitros teria sido alvo de disparos de arma de fogo.
É inadmissível que profissionais saiam de casa para trabalhar e retornem temendo pela própria vida. Nenhuma discordância com uma decisão de arbitragem justifica ameaça, intimidação ou violência.
ÁRBITRO NÃO É ALVO. ÁRBITRO É TRABALHADOR, PROFISSIONAL DO ESPORTE E SER HUMANO.
O SINAFESC cobra apuração rigorosa dos fatos, responsabilização dos envolvidos e medidas imediatas para reforçar a segurança das equipes de arbitragem antes, durante e, principalmente, após as partidas.
Organizadores, clubes, ligas, federações e autoridades precisam assumir suas responsabilidades e estabelecer protocolos efetivos de proteção. Não podemos esperar uma tragédia para agir.
Violência não faz parte do jogo. Respeito à arbitragem é respeito ao esporte. Mais segurança. Respeito à vida.
SINAFESC Em defesa da arbitragem catarinense.
LUD – Liga Urussanguense de Desportos – Nota de Repúdio
A Liga Urussanguense de Desportos – LUD vem a público manifestar seu veemente repúdio aos fatos ocorridos na noite desta sexta-feira (28), em Criciúma, envolvendo árbitros que haviam acabado de atuar em uma partida de futsal de Base Sub 10.
Segundo informações divulgadas, após o término da partida, um veículo ocupado por três árbitros teria sido alvo de disparos de arma de fogo, em uma situação que, conforme as informações preliminares, estaria relacionada à insatisfação com decisões tomadas durante a partida. O suspeito foi preso pela Polícia Militar e uma arma de fogo teria sido localizada durante a abordagem.
A LUD considera inadmissível que a violência ultrapasse os limites das quatro linhas. Divergências quanto à arbitragem fazem parte do esporte e devem ser tratadas exclusivamente pelos meios previstos nos regulamentos e na legislação, jamais por meio de ameaças, intimidações ou qualquer forma de violência.
Árbitro não é inimigo. Árbitro é profissional do esporte.
Nossos árbitros, assim como atletas, dirigentes, treinadores e demais profissionais envolvidos nas competições, têm o direito de exercer suas funções com segurança, respeito e dignidade, podendo retornar para suas casas após uma partida sem temer pela própria integridade física.
A LUD se solidariza integralmente com os árbitros envolvidos, seus familiares e todos os profissionais da arbitragem que diariamente contribuem para o desenvolvimento do futebol e do futsal.
Reforçamos nosso compromisso com um esporte baseado em respeito, disciplina, segurança e fair play, e esperamos que os fatos sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes e que as medidas cabíveis sejam tomadas dentro da legislação.
Associação Criciumense de Futsal (ACF)
“A ACF repudia, com absoluta veemência, o episódio ocorrido ontem após uma partida das categorias de base, quando um pai aguardou a saída dos árbitros do ginásio, sacou uma arma e efetuou disparos contra eles.
Não podemos tratar isso como apenas um episódio de violência. Precisamos parar e repensar o papel do esporte na formação de nossas crianças.
Estamos falando de categorias de base. De crianças que deveriam aprender, através do esporte, sobre respeito, disciplina, convivência, frustração, responsabilidade e, principalmente, sobre como lidar com a vitória e a derrota.
Que exemplo estamos dando quando um adulto transforma uma decisão de arbitragem em motivo para violência?
O árbitro pode errar. O treinador pode errar. O atleta pode errar. O pai pode discordar. Mas nenhum erro justifica a violência.
O ginásio precisa ser um lugar seguro. O esporte precisa ser um instrumento de educação, não um território onde a intolerância, o ódio e a violência sejam normalizados.
A ACF se solidariza com os árbitros envolvidos e espera que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.
E deixamos uma reflexão a todos nós, pais, atletas, treinadores, dirigentes e educadores:
Que tipo de atleta estamos formando quando ensinamos nossos filhos a vencer a qualquer custo, mas não ensinamos a perder com dignidade?
O resultado de um jogo termina no placar.
A formação de uma criança não.
Que o esporte volte a ser, acima de tudo, um lugar para formar pessoas.”